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sábado, 5 de março de 2022

Batman (2022) - Sem Spoilers

 Escrito por Charles Oliveira (não tem spoilers, sério)


        Eu não consigo por em palavras escritas, a emoção e a alegria que eu senti vendo este filme. Ele é simplesmente incrível, do começo ao fim. 

        Para inicio de conversa, o filme entrega completamente tudo que foi mostrado nos trailers: um filme de investigação de um psicopata serial killer - que, no caso, é o Charada - além de uma Gotham completamente suja e abandonada. O clima do filme é muito idêntico a de filmes do diretor David Fincher, principalmente com o filme Se7en (1995), por se tratar de filme escuro, tenso e bruto. 

        The Batman tem uma violência que não é mostrada, mas que esta presente. As vitimas do Charada sendo encontradas com armadilhas que lembram bastante as armadilhas do Jogos Mortais, contribuem muito com a semelhança que se cria com o filme Se7en, além de termos o Batman presente nas cenas do crime, investigando e analisando tudo. 


        Além desse detalhe da violência, o filme tem um ritmo que não enjoa ao longo das 3 horas de duração de filme. O filme ter essa duração ajuda em muito para entregar tudo muito bem amarradinho. O roteiro desse filme, além de todo o tom próprio para o filme, parecem ter vindo diretamente de uma graphic novel original da DC - o que não me surpreende ao ver o filme foi escrito junto com o autor do mais recente graphic novel do Batman, "Batman - The Imposter". The Batman é uma excelente adaptação do universo do Homem-Morcego e que entrega vários personagens do filme, sem serem simplesmente jogados. O filme da o tempo para conseguir desenvolve-los bem. 

        Quero destacar aqui que todos, sem exceção, são incríveis nesse filme e eu simplesmente não consigo dar o destaque para um só. A Selina Kyle da Zoë Kravitz tem uma química de outro mundo com o Batman. O Gordon, que ainda não é comissário, do Jeffrey Wright te faz acreditar que ele ainda tem esperança no trabalho dele e que ele quer muito a ajuda do Batman para fazer as coisas certas. E, para terminar, o Robert Pattinson é um OTIMO Batman, sem tirar e nem por. Ouso até dizer que ele vai ser o Batman definitivo de muitas pessoas, porque tudo que você espera em ver na questão de como o Bruce Wayne lida em ser o Batman, ele entrega. Além do trabalho impecável dos atores, Michael Giacchino (responsável pela trilha sonora) e Greig Fraser (o diretor de fotografia do filme) mandaram muito no filme. A trilha-tema do Batman é uma coisa que te arrepia da cabeça aos pés e a fotografia do filme é um absurdo. O fato do diretor ter trazido a tecnologia criada para a serie The Mandalorian (2019), de um set com imagens dinâmicas vinda de telas de LED, enchem mais os olhos. 


        Existem alguns outros detalhes que o filme entregam - até mesmo, referencias a varias sagas dos quadrinhos - que, sinceramente, seriam pequenos spoilers se eu falasse e a intenção deste texto é entregar o mínimo de spoilers o possível. E eu recomendo demais que você vá ver esse filme, sem ter visto nada além dos trailers - e desse texto, é claro. The Batman é um filme único e que sim, se você puder, vale completamente a pena ver nas telas do cinemas. 

Nota: ★★★★✩ (na moral mesmo, eu queria dar quatro estrelas e meia, mas eu não sei ainda editar para colocar meia estrela, então... desculpa, a verdade é que a nota é 4,5/5)

The Batman (EUA, lançado no dia 04 de Março de 2022) é um filme composto por Robert Pattinson, Zoë Kravitz, Paul Dano, Jeffrey Wright, Andy Serkis, Colin Farrell, John Turturro e Peter Sarsgaard. Roteiro de Matt Reeves, Peter Craig e Mattson Tomlin; trilha sonora por Michael Giacchino e direção de Matt Reeves. Sua duração final é de 176 minutos (ou duas horas e cinquenta e seis minutos).

sexta-feira, 25 de junho de 2021

O que faz de um núcleo familiar, uma família?

Texto escrito por Pedro Terasso


        Olá a todos, faz um tempo desde que eu escrevi sobre alguma coisa familiar não é? (Mentira, só tem um texto meu que não seja sobre isso), mas de qualquer forma lá vamos nós de novo.

        Hoje eu venho até vocês para falar sobre This Is Us, pra ser sincero apenas sobre a primeira temporada, mas porque eu ainda estou na metade da segunda.

        Eu pretendo falar de alguns spoilers nesse texto, porque pra mim ele vai ser um pouco além de só uma recomendação para vocês, eu realmente quero falar sobre toda a devoção que eu criei por cada personagem (SEM EXCEÇÃO) dessa série.

        This Is Us é uma série da CBS e atualmente está disponível no serviço de streaming da Amazon, o Prime Video (se você não conhece o Prime Video, clique aqui para você ir direto a pagina da serie) 

        A série tem seu núcleo formado por trigêmeos, Kevin, Kate e Randall e tem como trama principal o dia a dia de três irmãos que carregam inúmeros problemas do passado, por diversos motivos, que vão desde falhas na criação quando crianças até traumas pesados envolvendo bodyshaming, racismo e outras problemáticas. É importante também mencionar aqui que o Randall é adotado pelos pais, após a morte de um dos trigêmeos (Kyle) ainda no parto.

        O show começa te vendendo uma ideia de algo pesado, focado só na exploração daqueles problemas e de forma morna, mas em mais ou menos 3 episódios ele se revela um grande palco a fim de te mostrar com o que e como se faz uma família de verdade.

        A série passa por muitas variações de tempo, apresentando muitas cenas do passado em meio às do presente, fazendo assim com que os trigêmeos tenham até agora, 3 atores para cada um e eu posso afirmar que todos os 9 cumprem com seu papel muito bem.

        Porém isso também me dá abertura para falar de outros personagens, que não compõem o trio protagonista mas ainda assim estão diretamente envolvidos no núcleo principal, e eles são o Jack e a Rebecca. Inclusive, quero deixar registrado meus mais sinceros parabéns para a atriz Mandy Moore, diferente dos gêmeos a personagem Rebecca não muda de atriz enquanto atua nos 3 tempos em que a série se passa e Rebecca foi uma personagem que mudou muito com o passar dos anos, de uma jovem sem projetos familiares, para uma mãe de primeira viagem levando logo 3 de uma vez e por fim uma senhora com muita vivência e preocupações de corrigir os erros do passado. Mandy Moore fez um trabalho excepcional, é um show indescritível de atuação.

        O ator que faz o pai das crianças, o Jack, também não deixa a desejar em nenhum momento, infelizmente por conta da sua morte, não temos três versões do mesmo personagem, “só” duas, mas Milo Ventimiglia entrega um trabalho incrível em ambas linhas do tempo.

        Jack Pearson acaba se tornando um maior mistério da série durante a primeira temporada, o personagem que se mostra o pai e marido (quase) perfeito, é revelado como falecido já no quarto ou quinto episódio e a partir daí você começa notar como cada um dos filhos e a viúva Rebecca, evitam ou fogem do assunto quando o homem é mencionado e desde esse ponto, sua maior obsessão é saber como e principalmente porque isso aconteceu, afinal como eu tinha dito, a série literalmente te entrega o maior homem do mundo.

        Fora desse círculo principal, temos alguns personagens secundários que com certeza valem a pena serem citados, afinal eles se tornam muito rapidamente parte da alma da série, conquistando um milhão de corações mesmo não tendo o foco centrado neles e eles são: Beth, William e Tobey.

        Os dois primeiros podem ser citados juntos, por comporem o mesmo núcleo e serem constantemente vistos juntos, mostrando uma relação de amizade muito sólida e bonita de se ver.

        Beth é a esposa de Randall, o casamento deles se mostra muito sólido e com o passar dos episódios a série começa mostrar quem ela é além da esposa brava e séria ocupando a posição de personagem secundário e leva pouquíssimo tempo para que você se apegue fortemente a ela. Só para termos de opinião pessoal, eu afirmo que a Beth é minha personagem secundária favorita e até arrisco dizer que ela seja minha personagem favorita no geral. (Desculpa Jack, te amo, mas eu acredito na supremacia da Beth.)

        Já o William é apresentado logo no primeiro episódio como o pai biológico do Randall, depois que o homem decide pagar alguém para descobrir sua origem. No começo William se mostra um personagem deixado bastante de lado, com pouco foco em cima dele, mas depois da revelação do câncer em estágio avançado em seu estômago, a série começa a trabalhar na construção do personagem, começando pela relação dele com Randall, depois com Beth e depois explorando a vida do personagem sozinho, mostrando flashbacks do seu passado, desde o abandono de Randall até o dia em que o filho aos 36 anos de idade bateu à sua porta. William é um personagem magníficamente bem construído, com certeza um dos xodós do público da série.

        O último personagem que eu vou destacar é o Tobey. Ele pertence ao núcleo da Kate, faz sua primeira aparição também no primeiro episódio, começando como um alívio cômico de mau gosto. Pouco tempo depois ele e Kate acabam começando um relacionamento e é a partir daí que Tobey mostra ao que veio. Ele ainda mantém um bom humor e alívio cômico, mas vai se revelando um namorado excepcional para Kate e um personagem também muito complexo, certamente mais complexo do que qualquer outro secundário que eu tenha visto em outra série.

        Eu não vou me prolongar mais porque isso me faria dar mais spoilers do que eu gostaria de dar, inclusive essa é a razão pela qual eu não floreei muito pelos personagens principais, mas saibam que eles são tão bons quanto os secundários que eu citei e certamente vale a pena.

        This Is Us vem sendo muito bem aceita pelo público e está agora com a sua última temporada ainda recém lançada. Eu recomendo 100% essa série para qualquer pessoa e 110% para aqueles que assim como eu gostam do gênero.

        Eu espero que esse texto tenha tido um efeito positivo em cima de você, que o leu até aqui e espero que você esteja agora interessado em dar uma chance para essa gracinha de série chamada This Is Us.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Temos mais espaço para zumbis na cultura pop?

 Escrito por Bruno Boldrin

        Na semana de lançamento de Army of the Dead, filme dirigido por Zack Snyder (Liga da Justiça e 300), a Netflix liberou o trailer de Resident Evil: Infinite Darkness, a série animada em CGI foi anunciada em agosto de 2020, na época a Netflix havia anunciado que tinha planos para um reboot dos filmes em live-action chamado de “Welcome to Raccoon City”, adaptando os primeiros 2 jogos da franquia, e uma série em CGI, que nesta semana revelou seu lançamento, programado para 8 de julho de 2021 e contam com Leon Kennedy e Claire Redfield como protagonistas até o momento.

        A questão é, será que ainda existe espaço para essa formula?


        Não é de hoje, que os vínculos de entretenimento vêm ganhando rios de dinheiros com os monstrengos. São livros, filmes, séries, jogos, card games, fantasias, eventos inteiros como parques temáticos, totalmente voltados para o assunto. A formula quase certa de dinheiro, mas nem tanto de sucesso deu uma respirada nos últimos anos, mas ainda sim parece que ainda é difícil se destacar quando o assunto é trazer os mortos de volta. (piadoca logo no começo pra vocês)

        A indústria pop sempre teve tendências em seus meios, se um filme tiver um destaque por se destacar em algo, normalmente esse assunto ou plot será usado até serem esgotados. Ultimamente tivemos o exemplo do plot de “desconstrução de heróis”, não é algo totalmente novo, algumas revistas em quadrinhos trabalhavam roteiros dessa maneira a bastante tempo, mas com a chegada de The Boys em julho de 2019, criou uma tendência de outros vínculos em quererem explorar o conceito, com isso recebemos outras adaptações ou novas criações do mesmo assunto, o que podemos dizer que não é ruim.

        Invencível; O Legado de Júpiter; Power, todas elas apesar de estarem tratando da “desconstrução de heróis” elas estão explorando universos e histórias diferentes, apesar de parecidas elas são totalmente diferentes. A questão é que esse tema é consideravelmente novo, com muita coisa histórias e assuntos para serem tratados e abordados ainda... Agora quando falamos de zumbis, estamos falando de um tema que vem sendo utilizado pela indústria a décadas, e ultimamente os filmes mais especificamente, não vem conseguindo seu um destaque a tempos.

        A última atração que caiu na graça do público foi o lançamento de “The Walking Dead” lá em 2010, fazendo com que a outros vínculos fizessem de tudo para entrarem no meio do trem do hype, com isso até mesmo a indústria de vídeo games nos próximos anos foi saturada com inúmeros conteúdos de zumbis que muitas vezes eram produções meia boca, que tentavam ganhar seu espaço. A questão é que The Walking Dead não criou o gênero de zumbis, e nem foi o primeiro a adaptar algo no tema. No fim, o que fez com que o público voltasse ao com todo alvoroço atrás do tema de novo?

        O que deu o destaque a The Walking Dead não foi o gênero em si, mas como ele é abordado. Em 2002, “Resident Evil e o hospede maldito”, chegava aos cinemas. E trouxe um calor para um público jovem da época que muitas vezes não conheciam os jogos, e que estavam carentes do gênero.

        Os filmes de Resident Evil, não eram boas adaptações dos jogos, não eram bons filmes independentes por si só... Com um roteiro fraco, cheio de furos e interpretações dignas de um lanche e um refrigerante como pagamento, como o filme conseguiu ganhar tanto público na época? 

        A questão foi que Resident Evil, trouxe de volta aos cinemas um gênero que estava “no freezer” a um bom tempo, sem ideias para ganhar seu espaço. Além de tudo o filme tomou do cálice de outras franquias que estavam ganhando seus destaques. As cenas de ação contavam com um toque de “Matrix”, além de carregar o nome de “Resident Evil” que na época já era um nome de referência nos vídeos games, porém sem força em outras mídias.

        Com o tempo, tanto a franquia de jogos quanto a de filmes, acabou se desgastando, mas continuaram lançando seus produtos. Nos filmes, com o tempo além de Matrix, os longas tentaram (sem sucesso) beber das fontes de Anjos da Noite, os fãs que cresceram acabaram deixando a franquia de lado e percebendo que o gore e as cenas de ação do filme só eram boas nas memórias. E acabou que chegou a hora de se reinventar de alguma maneira.

        Em janeiro de 2005, a Capcom, entendeu que depois de inúmeros jogos da franquia, não só o roteiro e o gênero, mas as ferramentas do jogo em si estavam ficando datadas, e repetitivas. Ganhar os fãs em 1996 era bem mais simples, sem nenhum outro título de peso para que os fãs pudessem comparar, acabou que o jogo ganha seu espaço e dita as regras do gênero como pioneiro, agora quase 10 anos depois, a Capcom apostava em novas ferramentas e novas abordagens para a franquia.

        Finalmente abandonando o plot do C-Virus e todo a temática de zumbis de lado, o jogo explorava mais elementos de “horror shooter”,  apostando mais em um jogo de ação, a onde o jogador mais atirava do que resolvia os quebra-cabeças, porém ainda tentando manter um visual de “terror”, porem em uma abordagem diferente.

        O desenvolvimento do jogo foi tão diferente dos seus anteriores, que acabou dando à luz a franquia Devil May Cry, a questão foi que o jogo agora bebia muito da franquia dos filmes, porém ainda sim com um toque de animes, principalmente nas cutscenes. Leon agora era um protagonista muito mais badass do que o antigo Leon que foi mostrado anos atrás em Resident Evil 2.

        Apesar dos desvios entre os filmes e jogos, as animações independentes de Resident Evil, sempre traziam os zumbis e inimigos clássicos de volta. Porem apesar de tudo, nunca conseguiam seu espaço... Além dos roteiros bem genéricos, cenas de ações bem galhofas, algumas por serem extremamente exageradas, outras por sua coreografia horrorosa, as animações eram pra um público muito especifico, então já sabendo do histórico de conteúdo de Resident Evil, o que podemos esperar de Infinite Darkness? Agora com um desenvolvimento feito pela Netflix.

        A Netflix agora tem uma missão um tanto quanto complicada, muito mais dinheiro está envolvido na produção, e tendo em mente que o público que será atingido será muito maior, com isso vem muito mais as cobranças.

        Sendo uma “série animada” tudo dá a entender que teremos um enredo desenvolvido com mais calma, talvez com um toque e conspiração entre o governo e a Umbrella Corporation. Mas ainda assim, os fãs tem que ter em mente que Resident Evil é um produto de origem asiática, e não um produto do ocidente. As escolhas de cenas, coreografias, desenvolvimento e ritmo do roteiro de Resident Evil Infinite Darkness, com certeza, será mais próximo com o de um anime, do que um filme investigativo do Tom Clancy por exemplo. A questão é como o público, nas Américas e Europa irão receber o filme, e como a Netflix fara para conseguir seu destaque nesse meio.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

O Efeito Avatar - a ascensão e a queda do 3D

Texto escrito por Charles Oliveira


Calma, eu sei que de inicio irão ter vários termos específicos mas, pega na minha mão e vem comigo.

Quando você esta assistindo a qualquer coisa no seu computador, no seu celular ou na sua TV, o que é menos notável de se criticar é se o filme esta propondo a devida profundidade de suas cenas. Pois o maior motivo disso é que você esta vendo um filme em uma perspectiva plana. O mesmo vale quando você vai ao cinema: quando você entra na sala e o filme esta sendo projetado na tela, não importa o ângulo que você sente, a sensação de perspectiva será a mesma pois, o filme esta sendo exibido em uma tela plana.

Agora, para um filme 3D, a ideia é diferente. Em teoria, a funcionalidade do 3D é proporcionar a sensação de tridimensionalidade em uma imagem chapada, por conta de uma técnica de três contornos em uma imagem. Por isso, se utilizava aqueles clássicos óculos com as lentes azul e vermelho, para com que imagens contornadas (ou sobrepostas), enganasse o sistema ótico das pessoas para com que uma imagem chapada oferecesse a sensação de tridimensionalidade. 

Muito técnico para um inicio de texto, eu sei, mas vamos continuando...



Antigamente, esse conceito de filmes eram utilizados em vários filmes de ficção cientifica como "It Came From Outer Space" de 1953, que é considerado como um grande clássico "trash" da ficção cientifica. Porem, quase 60 anos, após o primeiro filme citado ser lançado, essa tecnologia foi aperfeiçoada para o entretenimento audiovisual. 

No meio deste caminho, houveram alguns filmes que tentaram utilizar do 3D para atrair o publico para uma nova experiência nos cinemas mas, nada passava de uma pura forçada de perspectiva em momentos que não eram próprios para o 3D estar em uso. Um grande exemplo que posso trazer para vocês é o filme "Pequenos Espiões 3-D" que, basicamente, o filme pode ser resumido com a imagem abaixo:

Em resumo, o 3D nos cinemas eram uma tecnologia que era utilizada como uma ferramenta para enfeitar filmes rasos. Haviam alguns filmes que eram foras da curva como "O Expresso Polar" ou  "A Casa Monstro" que "funcionavam", mas que você sentia que o filme não era feito propriamente para ser visto em 3D. No fim, não existia o escopo para filmes que fazem sucesso de bilheteria utilizarem o 3D, pois ninguém fazer alguma coisa especificamente para aquela tecnologia ultrapassada... até que Avatar entrou em cena.

Avatar foi visualmente impressionante em 2009, porque ele foi feito explicitamente com esse propósito: utilizar o 3D. Talvez, você ache que ele seja somente um apanhado de clichês do "soldado americano ficando com a jovem do povo nativo" e está tudo bem. Só que você tem que concordar que Avatar foi inovador. Porque? Por que ele foi feito para ser assim. Ele foi feito para ser inovador em película, da mesma forma que 10 anos depois, "Projeto Gemini" quis ser com os 120 frames na projeção. Foi feito para ser inovador na forma clássica de consumir filmes. Foi feito para ser inovador dentro do novo meio de consumo de filmes. E foi feito para ser inovador ao ser visto em 3D.

Esse é o motivo do 3D ter funcionado.

O ambiente do cinema mudou de tamanha forma, que fez com que muitas televisões, DVD e blu-ray players e alguns jogos fossem lançados também com essa tecnologia. Até mesmo, a mais conservadora de todas as empresas de jogos, a Nintendo, lançou o seu portátil com o 3D. Todo mundo queria aproveitar o buzz que o filme Avatar ofereceu com o seu lançamento. 

De 2010 para frente, para muitos estúdios, mesmo que eles não assumam, o grande ideal era mudar a ideia de que "não existia o escopo para filmes que fazem sucesso de bilheteria utilizarem o 3D". Por conta da bilheteria que Avatar arrecadou para a 20th Century Fox, o ideal era lançar filmes em 3D. 

Depois de Avatar, foi extremamente difícil de achar filmes que tentassem criar algo com o 3D e que não fossem mais um filme "Sharkboy e Lavagirl" da vida - que forçam a perspectiva, balançando os braços na sua frente, ou que claramente o filme foi filmado em película ou em digital para depois ser convertido para o 3D. Filmes como "Fúria de Titãs" (2010), "Tron: O Legado" (2010), "A Lenda dos Guardiões" (2010) e "Transformers: O Lado Oculto da Lua" (2011) entraram na locomotiva dos filmes em 3D. Até mesmo o filmes da Marvel Studios passaram a serem lançados em 3D, depois do lançamento do primeiro filme do Thor, em 2011.


Filmes como (da e/d) Lenda dos Guardiões, Furia de Titãs, Tron: O Legado e Transformers: O Lado Oculto da Lua, sofreram do efeito "Avatar".


A ideia é que, na média que o tempo foi passando, mais e mais filmes flertavam com o 3D, chegando no ápice de 25% das salas de cinemas*, serem obrigatoriamente montadas para funcionar com uma exibição em 3D. Tudo isso, por conta do que podemos chamar de Efeito Avatar, que causou no mundo dos cinemas. Tudo isso, para conseguir atrair mais publico para o cinema. Esse efeito criou uma bolha tão grande entre 2010 e 2015, que até o diretor Martin Scorsese filmou a adaptação da obra "A Invenção de Hugo Cabret" de 2011, em 3D, onde para ele "os atores eram mais abertos emocionalmente" segundo uma antiga entrevista

Mas, igual a toda bolha, ela acaba tendo que estourar. 

Essa quantia massiva de filmes que eram lançados em 3D, encareceram mais ainda os ingressos para os cinemas e geraram uma saturação excessiva de filmes que somente eram lançados em 3D para lucrar mais com as bilheterias. Com isso, o publico começou a cansar dessa "inovação" e a audiência para filmes em 3D começou a cair mais e mais. Em 2017, a IMAX chegou a anunciar que o 3D não era mais um padrão para eles, já que o publico norte-americano havia parado de frequentar as sessões em 3D. 

E, de fato, o publico realmente cansou de assistir filmes em 3D porque (por experiência própria) a vista cansava, os filmes haviam horas que eram extremamente escuros, haviam momentos que a legenda embaçava do nada ou simplesmente, aquele filme não tinha NADA de 3D ali.

Depois do estouro dessa bolha, menos filmes eram lançados em 3D. Pouquíssimos eram gravados direto em 3D, enquanto a maioria eram convertidos na pós-produção. Até o fim de 2019, o único filme notório que foi lançado para 3D, foi a ultima parte da saga Star Wars. De dezenas de filmes blockbuster no inicio da década, o 3D foi resumido em um único filme no fim da década. 

E, com a chegada da pandemia, creio que isso foi a ultima pá de terra para a queda do 3D. 

De fato, no inicio, os filmes em 3D eram de encher os olhos, pois eles eram feitos para explorar a tecnologia sem ser uma coisa extremamente forçada. Era um "revival" de um efeito muito explorado em décadas passadas nos cinemas, conforme exemplifiquei antes, mas essa saturação por conta desse Efeito Avatar, acabou com o tal "revival" do 3D. Os filmes estavam voltando a fazer os mesmos feitos que o "Pequenos Espiões 3D" fizeram: forçar desnecessariamente a perspectiva. 

E, sinceramente, mesmo com o lançamento de Avatar 2 em breve, não acredito que o 3D voltara com a mesma forma que teve em 2010. 



Nota da redação*: a porcentagem utilizada no texto, seguiu em base as salas de cinemas que haviam na cidade de Araraquara, São Paulo; onde o autor do texto mora.

domingo, 9 de maio de 2021

Foi horrível, Nota 10: The Promised Neverland

Texto escrito por Pedro Terasso


        Olá a todos, acho que essa é oficialmente a primeira vez que eu começo um texto sem dizer que vou falar da melhor coisa do mundo. The Promised Neverland não é o melhor anime do mundo, na minha opinião ele está até relativamente longe disso, mas ele com certeza é um dos destaques da nova geração e definitivamente merece ser citado aqui.

        O anime estreou sua primeira temporada em 2019 e foi logo de cara um sucesso de audiência, a história é extremamente cativante e pelo menos a primeira temporada foi quase que perfeitamente adaptada.

        Eu vou tentar pegar leve com os spoilers, mas já adianto que citarei alguns, principalmente pra falar do plot principal da série.



        A história é protagonizada por três personagens: Emma, Ray e Norman, que vivem em uma espécie de orfanato isolado do mundo, aguardando o esperado dia da adoção. Quase que por acidente, Emma e Norman acabam descobrindo que todas as crianças que vivem ali, incluindo eles mesmos, estão sendo criados como carne pra abate para alguns seres que se assemelham a demônios. Nenhuma criança tinha ficado na casa depois do seu aniversário de 12 anos, todas elas eram “adotadas” antes disso.

        E a partir desse momento Emma e Norman começam a traçar um plano de fuga daquele lugar, junto com todas as crianças. O plano que deveria ser secreto acaba sendo descoberto por Ray que se junta ao grupo apesar de ter opiniões divergentes as da Emma sobre o plano de fuga ideal

        Depois disso, é revelado ao público que o trio protagonista é composto por gênios e essa era a razão pela qual os três, aos 11 anos de idade, não tinham sido “adotados” ainda. Crianças inteligentes são apreciadas pelos demônios, então quando uma desse tipo aparece, ela deve ser maturada até o dia de seu décimo segundo aniversário e com base nessas informações e padrões das regras da casa, Emma, Ray e Norman começam a se organizar. Eu vou reter os detalhes do resto da história porque eu quero que você, leitor, dê uma chance ao anime. 



        The Promised Neverland é repleto de reviravoltas extremamente surpreendentes dentro dos 12 episódios. Eu te garanto que pelo menos um choque é recebido em cada um deles. Eu particularmente sou uma pessoa que tem o costume de assistir obras e animes que envolvam planos e personagens super inteligentes, então depois de anos vendo isso eu achei que tinha visto de tudo e nada mais me surpreenderia, mas eu estava errado. Esse anime derreteu minha cabeça muitas e muitas vezes, fez com que eu me sentisse burro, fez com que eu me colocasse no lugar daquelas crianças e tivesse a certeza de que eu não escaparia. Os meninos, Norman e Ray, te mostram visões completamente absurdas de planos e projetos que eles montam que são capazes de te deixar literalmente boquiaberto e a Emma apesar de ser mais emotiva e impulsiva não fica muito pra trás em termos de inteligência. Eles são o trio perfeito e é por isso que tudo flui tão bem com o plano deles.

        Eu não sou a pessoa que vai te contar se o plano funciona ou não, se eles conseguem a fuga ou quais deles conseguem a fuga, mas eu realmente recomendo que você assista. Ele é curtinho, eu mesmo vi em uma noite só (outro ótimo sinal de qualidade, já que eu posso garantir que eu não faço isso com um anime desde 2014), ele está com a primeira temporada completa disponível na Netflix e deve ficar lá por mais algum tempo, afinal mesmo dois anos depois do seu lançamento, The Promised Neverland ainda é retém um alto índice de audiência e relevância.

        Eu vou citar alguns pontos altos e baixos agora pra ajudar vocês a ponderarem se vão assistir ou não, apesar da minha clara recomendação acima.

        Os personagens são magníficos, além dos 3 principais outros 3 personagens acabam envolvidos diretamente com o plano inicial e apesar de não serem grandes masterminds como o trio protagonista, eles são igualmente cativantes.

        O anime é extremamente misterioso, literalmente todo episódio termina com aquele gosto de: “Meu Deus, eu preciso saber o desfecho disso”. E mesmo depois do final da primeira temporada, você termina com esse gosto.

        As reviravoltas são impressionantes. Eu já falei disso lá em cima mas eu vou tornar a repetir, chega a ser um absurdo o desenrolar dos planos e dos contra planos da “Mama” (Adulta responsável pela fazenda de abate onde vivem os protagonistas). Tudo parece um grande tabuleiro de xadrez, mas com peças humanas e uma carga emocional capaz de derrubar qualquer um.




        E por falar em carga emocional, isso esse anime entende. Não espere lutas, poderes ou qualquer coisa desse tipo pois não tem. O anime foca muito mais na questão emocional e mental do processo todo e faz isso com uma maestria que eu vi em poucos outros animes como HunterXHunter. Tem um episódio em específico que me obrigou a fazer uma pausa de quase 30 minutos depois de assistir, porque eu simplesmente não conseguia parar de chorar. Fazia muito tempo que eu não me emocionava assim com um anime.

        Já nos pontos negativos: Tudo é muito lúdico, é difícil acreditar que aquele cenário seja possível de alguma maneira. Claro que a ideia do anime é realmente mostrar cenários distópicos e longe da realidade. Mas até quando você tenta fazer alguma analogia ou metáfora, fica difícil de se localizar.

        A maior qualidade dos personagens acaba se tornando o maior defeito. Não é exatamente um problema pra mim que uma história de ficção fuja completamente da realidade, mas pra quem gosta de algumas pitadas de realidade, o problema acima e esse aqui vão ser um tanto complicados. É difícil acreditar que 3 crianças com 11 anos bolam planos tão mirabolantes de perfeitos quanto os que eles fazem. Com 11 anos eu corria na rua com pedaços de pau brincando de espada com meus amigos.

        A falta de respostas fixas também se torna um problema no final. Provavelmente com a intenção de instigar as pessoas a buscarem pela segunda temporada ou lerem o mangá, o anime acaba retendo alguns desfechos e isso não seria um problema se a segunda temporada não fosse um fiasco completo, eu vou entrar em detalhes sobre isso logo abaixo mas só pra concluir esse ponto: Faltam fechamentos de ciclos nessa primeira temporada e isso é um tanto incômodo, ainda mais pra gente como eu, que não se deu ao trabalho de ver a segunda. 

        A segunda temporada, em si, sofreu bastante hate do público que aguardava ansiosamente por ela depois da primeira ter sido espetacular. As maiores críticas envolvem a falta de adaptação de alguns momentos importantes e o tempo de história. A primeira temporada adaptou 37 capítulos do mangá em 12 episódios, enquanto a segunda adaptou os 144 capítulos restantes em 11 episódios e isso resultou em uma história corrida, mal contada e mal resolvida. Ocasionando bastante ira nos amantes da saga e com razão.

E com base em tudo isso, quais são minhas conclusões finais? Eu recomendo com todas as letras a primeira temporada, vale muito a pena assistir, é uma experiência pesada e exaustiva e você vai sair de lá completamente descrente e acabado, mas com certeza uma nota 10 deve ser atribuída. Quanto a curiosidade de saber os desfechos? Faça como recomendam, ignore a temporada dois e leia o mangá.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Godzilla vs. Kong (crítica com spoilers)

Uma critica escrita por Charles Oliveira



    Godzilla vs. Kong é uma espécie de evento. Ele funciona exatamente como uma season finale de uma série iniciada em Godzilla de 2014. E, por se passar dentro deste universo, o ritmo do filme é bem similar aos primeiros filmes, o que, honestamente, pode ser visto como um lado negativo pois todo o ritmo que envolve os humanos são todos compostos de teorias, fanatismos tecnológicos e, uma burocracia extraordinária. Pelo menos, dentro deste lado ruim, somos recompensados com as cenas de interação com o Kong e a menina, através da linguagem de sinais. Isso demonstra o quanto o Kong é inteligente, logo de cara, caso você não tenha visto ao filme Skull Island. 

    E é interessante que de início, o filme demonstra que há lados que defendem os Titãs, há lados que só querem preservar a vida da espécie Titã e a humana, e o Lado que somente quer o caos. E dentro desse lado que quer defender os Titãs entra a parte das conspirações, onde mostra que o personagem do Bryan Tyree Henry é um podcaster conspirador a favor dos Titãs, tanto que ele estava dentro do complexo da Apex no momento do "suposto" ataque do Godzilla. E nisso, temos a ligação com a personagem da Millie Bobby Brown que, por conta dos eventos do último filme, não acredita na incriminação de Godzilla e vai atrás de ajudar o podcaster a defender o Godzilla.

    O "legal" do filme é que a evolução tecnológica das empresas, são completamente sem ligação com nada e, a sensação é que a cada dia que se passa, os filmes do universo de monstros da Legendary Pictures, se liga cada vez mais com o universo de Pacific Rim. Terra oca, o trono do Kong próximo ao eixo gravitacional do planeta, a viagem rápida dos EUA para Hong Kong e o link cerebral de um piloto para o Mechagodzilla, TUDO ISSO mostra o quão próximo estamos de Kong e Godzilla vs os Kaijuus de Pacific Rim. E são, somente, nesses pouquíssimos momentos que esse núcleo mencionado antes aparece, pois a medida que o filme passa, o foco fica mais no núcleo humano do Kong, do que no núcleo humano do Godzilla.



    O ponto principal do filme são as lutas. Ao todo, são cerca de 3 lutas entre os monstros. Com menos de 40 minutos de filme já somos brindados com as melhores partes, que são as brigas dos kaijuus. A luta em cima dos navios, é muito maior do que o trailer conseguiu vender e isso é um ponto chave. Podem dizer o que for, mas a primeira briga é maravilhosa e, ela é a única coisa que salva o filme. E, por se passar no terreno que Godzilla tem mais vantagem, o Kong sai derrotado. 

    Já na segunda luta, nós temos toda uma construção. O filme estabelece que agora, Kong de fato detém o seu título de rei por chegar no centro da terra e ter encontrado o seu trono. Lá, o filme mostra que o rei tem um machado com uma energia bem similar com a energia plasmática que o Godzilla emite. Então, ao recarregar a energia do machado, Godzilla sente isso, abrindo um buraco para o centro da Terra bem no meio de Hong Kong. Expliquei tudo isso, pois (mesmo que tudo isso seja uma loucura) mostra todo o cenário em que nós encontramos: Para Kong poder reinar, Godzilla precisa estar morto. E nisso temos a segunda luta entre os dois, que resulta numa vantagem terrestre de Kong sobre o Godzilla. 

    Ao longo do filme, novamente fica a sensação de que Godzilla vs Kong, era uma espécie de Kong 2, é muito grande pelo fato de termos muito mais desenvolvimento de Kong do que o de Godzilla, que tá ali para limpar o seu nome e destruir as pesquisas da tal Apex para não haver nada similar a ele. Mas, nesse cenário, Godzilla sai derrotado.

Os núcleos humanos que compõem os momentos solos com os monstros.
Crédito: Warner/Divulgação

    As duas lutas, que constroem todo um ápice para a luta final, são belíssimas de ser ver e o filme chega a passar o ar de filme de super-herói (e depois que você assiste o filme, fica completamente explicito que ele quer passar esse ar); mas a chegada do Mechagodzilla para a luta final é um tremendo banho de agua fria. De uma hora para a outra, o filme fica completamente acelerado e a luta final deu a mesma sensação de "questionamento da vida" que senti vendo o filme do Quarteto Fantástico de 2015. Por conta dessa aceleração, o filme parece que enrola todo e simplesmente, acaba.

    Como disse no começo, Godzilla vs Kong é uma espécie de evento, uma season finale para a saga que se iniciou com o filme de 2014 que quer passar um ar de super-herói. O filme é literalmente tudo isso misturado, além da brigas entre dois grandes monstros dos cinemas (e o ritmo que cada um dos monstros trouxe de seus filmes solo), com a inclusão de um núcleo de atores e atrizes famosos. Tudo isso, dentro de um filme de menos de duas horas. Sinceramente, o resultado final disso é um filme confuso que não sabe definir um ritmo.

Nota: ★✩✩✩✩

Godzilla vs. Kong (EUA, lançado nos Estados Unidos no dia 31 de Março de 2021 e lançado no Brasil no dia 29 de Abril de 2021) é um filme com o elenco formado por Alexander Skarsgard, Millie Bobby Brown, Rebecca Hall, Eiza Gonzalez e Bryan Tyree Henry. Roteiro de Eric Pearson, trilha sonora por Junkie XL e direção de Adam Wingard. Sua duração final é de 105 minutos (ou uma hora e quarenta e cinco minutos).

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Crônicas de Arthur em sua melhor forma

Uma critica escrita por Bruno Boldrin


    Arthur, Excalibur, Merlin, Lancelot, todo mundo pelo menos uma vez, já viu alguma adaptação das histórias. Uma das crônicas mais antigas e influentes na cultura pop e literatura pelo mundo inteiro. Com várias adaptações, narrativas e versões diferentes. Arthur foi também alvo de dúvidas sobre o que poderia ser duvidoso. Sobre o que de fato aconteceu na história, e o que são contos.

    Bom... (in)felizmente estamos aqui para falar de “Crônicas de Arthur”, uma saga de 3 livros, escritas por Bernard Cornwell, muito conhecido por “Crônicas Saxônicas” e “A busca do Graal”.

    Talvez uma das coisas mais difíceis de se fazer, em relação a livros, filmes ou qualquer obra, que já tenha sido contada e recontada. É encontrar seu caminho para se manter original, único e ainda surpreender o leitor com a história. Bernard Cornwell fez isso com tanta maestria que facilmente eu aponto como a melhor adaptação para as histórias de Arthur.

    As historias de Arthur, sempre foram rodeadas por magias, histórias mirabolantes, traições, armaduras brilhantes, os contos sempre tratavam Arthur e toda a Távola Redonda como a "
Liga da Justiça" dos cavaleiros e Arthur como o seu Superman, de certa forma. Todos lutavam por justiça e grandezas, isso em geral teve alguma alteração, algumas drasticas e outras sutis, mas no fim... Qual era a proposta de Cornwell com sua representação de Arthur?


    Cornwell, apostou em uma dinâmica um tanto quanto diferente com seus livros. Oque Cornwell fez foi tentar trazer o máximo de realismo possível dentro dos livros, e usar elementos para flertar com conceito de magia, deuses e tudo mais.

    A história é narrada por Derfel Gadarn, um dos cavaleiros de Arthur, que cresceu o vendo como um exemplo, viu sua gloria e queda durante as décadas, e adotado de Merlin quando criança.

    E falando em Merlin esse é um dos melhores pontos dos livros, se perguntam como introduzir Merlin a um mundo desses, se por ser realista logo a magia não existe?

    A questão é que nunca vemos de fato Merlin fazendo magia, sempre temos uma perspectiva primeiro de que nos dá a acreditar que o que aconteceu é um feito de Merlin, e depois ele te entrega alguns pontos que explicam como as coisas ocorreram, e falando em realista, estamos tratando de uma época aonde muito do que se dizia ou ouvia era distorcido para o que melhor se encaixava na interpretação das pessoas, isso por religião, “magia”, e até mesmo ocorridos, por exemplo, a de como as histórias diziam que Arthur tinha tirado Excalibur de uma pedra, e como existia uma aura magica sobe ela, todos esses tipos de especulações e teorias, vindo de uma época onde as pessoas acreditavam que tudo que não tinha explicação era algo sobrenatural, como as igrejas e outros poderes faziam como forma de manipulação ou as vezes pura estupidez.

    Durante o livro, Derfel explica que muito do que tinha sido escrito, contos e tudo mais eram muitas vezes potencializados para melhor ou pior dependendo do que o autor queria que ele ouvisse de Arthur, ele (Derfer) agora velho, está traduzindo os pergaminhos da história de Arthur para a língua dos Saxões, escondido para sua rainha, isso porque ele poderia ser penalizado, já que agora trabalhando para a igreja, Arthur era considerado um “inimigo de Deus”.


    Crônicas de Arthur encontra uma maneira sutil de juntas realidade com ficção, Arthur ainda é o “rei perfeito”, justo e honesto, porem mostra que nem tudo são glórias, muito pelo contrário. Cornwell narra com perfeição o calor de batalhas, o problema com as “armaduras de plumas e escamas brilhantes” que a história contava sobre Arthur. Mostra como os escudos brilhantes, não passavam de madeira que no fim das batalhas estavam na verdade sujo de sangue. Em como problemas políticos e intrigas religiosas podem destruir um povo ou a história inteira de uma pessoa por estar do outro lado de seus favores.

    Os personagens voltam praticamente todos, com suas características potencializadas. Lancelot, agora era irmão do bastardo Galahad. Em quanto tínhamos Galahad, fazendo o papel do cristão bem humorado, e que acima de tudo respeitava valores e suas amizades acima de tudo. Tínhamos Lancelot, que ganhava títulos de batalha sem nem ao menos participar delas, mostrando como o fato de alguém vestir uma armadura bonita e ficar no fundo das batalhas, só se precisavam de alguns bardos para escreverem histórias de como Lancelot ganhava batalhas que na verdade foram lutadas por seus homens, sem nem ao menos descer de seu cavalo ao fundo da batalha.

    Cornwell encontrou uma maneira de espremer o pouquíssimo conteúdo histórico real que temos sobre Arthur, e teceu uma das melhores sagas da história sobre o personagem, em batalhas, desenvolvimento de personagens e muito mais.

    Com isso fica a recomendação dos livros incríveis de Cornwell.

Nota: ★★★

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Na Visão do Diretor

Escrito por Charles Oliveira

 Atenção: esse post não tem nenhum tipo de spoilers além dos vistos em trailers e imagens divulgadas antes do lançamento do filme. Se caso, você não assistiu ao filme e esta com medo de spoilers, saiba que as imagens utilizadas no texto são vindas de fontes promocionais e de screenshots dos trailers. 

Mas temos a nossa critica (com spoilers), publicada no blog e um episodio especial (também com alguns spoilers) no nosso podcast.




Na arte, o principal objetivo de um criador é transpor a sua visão para aquele feito. No cinema, muito disso é realizado por diretores de renome. Vemos muito disso em filmes como "O Poderoso Chefão", "Os Bons Companheiros", "Drive" e até mesmo em "Creed"; o que mais se destaca nesses filmes são as assinaturas de seus diretores. E isso, aconteceu em Liga da Justiça: A Versão de Zack Snyder (Zack Snyder's Justice League, 2021) e aconteceu com força.

Caso você, caro leitor, não saiba o que tenha acontecido irei resumir para você: a produção deste de filme foi deveras conturbada, principalmente por conta do relacionamento entre o diretor e a sua distribuidora. E essa "richa" vem desde o lançamento de O Homem de Aço (Man of Steel, 2013) que teve uma recepção morna por parte das criticas. Mesmo que isso tenha dado um gás para que a DC Comics, pudesse construir o seu multiverso para, futuramente, competir com os filmes da Marvel Studios; digamos que o estudio não estava esperando essa recepção morna por parte da critica, principalmente vindo de um filme dirigido por um diretor que já havia adaptado duas graphic-novels de sucesso para os cinemas (300 em 2007 e Watchmen em 2009).

Eis que então veio Batman vs Superman - A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016) e meu amigo, deu no que deu. Foi Ultimate Edition dali, "Save Martha" acolá, 29 milhões de historias da DC sendo adaptadas em uma coisa só e hate, atrás de hate. O filme tomou um 29% no Rotten Tomatoes, o que chegou a gerar um ódio por parte de um dos produtores contra o site. O que isso causou? Mais abalo no relacionamento Warner e Snyder. Resultado? Mais uma produção conturbada para o diretor que estava iniciando as filmagens de Liga da Justiça e... o resto é historia. 

E o fato de Zack ter saído meio que como vilão, por ter "abandonado o filme" (quer dizer, gente, se tratava da família dele e do fato de que a filha dele tinha tirado a sua própria vida) fez com que os fãs do diretor quisessem que o filme que o diretor havia escrito não fosse engavetado e fosse lançado do jeito que foi idealizado. Dai então surgiu o movimento "#ReleaseTheSnyderCut" que foi movimentado ferrenhamente pelos fãs junto de abaixo-assinados e até mesmo memes.


Principalmente nas Comic-Cons de San Diego, os fãs faziam banners para movimentar a hashtag.



No Twitter e no Vero, o diretor vivia dando screenshots do que ele havia idealizado para o filme e dando retweets dos atores do filme movimentando a hashtag.


Até mesmo, o showrunner da serie animada Harley Quinn (2019) aproveitou para incluir o movimento como uma piada (que, segundo o showrunner, foi levado na esportiva pelos fãs)


Então, eis que em maio de 2020, é anunciado que a visão do diretor iria ser exibida para os fãs, dando direto até de um orçamento para gravar cenas adicionais para o filme. O publico entrou em delírio, principalmente quando, em agosto de 2020 no DC FanDome, o primeiro trailer de SnyderCut (agora, um titulo oficializado pelo estúdio) foi lançado. E o principal detalhe notado foi a diferença drástica do "aspect ratio" do filme. 

Traduzindo, "aspect ratio" significa proporção da tela em relação a exibição da imagem bidimensional na tela. Traduzindo de novo, tem a ver com qual dimensão aquele filme será exibida para passar melhor a visão do diretor para o seu filme. E a proporção de tela bastante comum que vemos nos filmes atuais é a "widescreen" que nos proporciona as famosas faixas horizontais na tela. (Inclusive fica aqui a recomendação de um vídeo que explica de forma bem didática como funciona o aspect ratio em filmes).

No filme de Zack Snyder, foi optado o uso de uma proporção de tela muito similar a uma proporção mais quadrangular. 


Mesmo com muitos, que ficaram interessados no relançamento do filme, se perguntando "essa escolha de exibição não faria com que o filme perdesse mais detalhes nos cantos?", fãs no lançamento do primeiro teaser comentaram que aquela escolha deveria ser motivada pelo fato da cópia do filme que o diretor tinha era baseada numa exibição em IMAX (já que a proporção da tela de um IMAX é completamente diferente da proporção de uma tela de cinema comum).  

Porem, em uma entrevista para o Justice Con (um evento independente que ocorreu em 2020 via internet para celebrar esse lançamento), o próprio Zack Snyder veio explicar o por que desta proporção. 

"Quando gravei Batman v Superman, houveram diversas cenas em que gravamos com as câmeras em IMAX. E eu penso que o cinema é como uma grande feira de ciências, em que vivemos testando diversas coisas. Quando assisti ao Batman v Superman, eu me senti completamente obcecado pelo "aspecto quadradão". E com a maioria dos produtores, ficando obcecados por "mais widescreen, mais widescreen", eu senti que esse filme merecia algo mais diferente. Então, optei por fazer toda a filmagem em IMAX mas com a proporção travada em 4:3"

O diretor Zack Snyder aproveitou o painel para exemplificar, no papel, como o filme foi gravado originalmente e o que nós vimos com o lançamento dele em 2017. (Fonte da entrevista: canal Justice Con)

"Então quando a produção começou as filmagens, eu realmente estava apaixonado neste conceito principalmente que, pra mim, super-heróis tendem a ser figuras mais verticais fazendo sentido dentro desse conceito", finalizou o diretor. 

Lembra daquilo que falei no inicio do texto? Na arte, o principal objetivo de um criador é transpor a sua visão para aquele feito. É exatamente o que o diretor esta conseguindo fazer. Nessa entrevista é interessante a fala "estamos trabalhando para restaurar o filme na proporção original que ele foi feito" até brincando que os pequenos sneak peeks que ele lançou no Twitter, não eram cortados para serem exibidos em todas as redes sociais e sim, é o conceito original da fotografia do filme; o fato do filme ser quadradão é por conta da visão que o diretor teve para o filme.

Particularmente, fui uma das pessoas que achou maneiro a forma que o filme será exibido pois, principalmente nos últimos filmes do diretor Christopher Nolan, é bem comum você estar assistindo ao filme e a proporção da tela ficar mudando toda a hora (já que em planos fechados e internos, a maioria das vezes os seus filmes são gravados em widescreen e, ao cortar para planos externos e de ação, a proporção vai para o IMAX de uma hora para a outra). Para mim, é a recompensa perfeita para aqueles que movimentaram em peso o #ReleaseTheSnyderCut e receberam o estúdio dando total liberdade para o diretor original poder concluir a sua visão para aquele universo de heróis que ele havia criado com O Homem de Aço. 

Se puder, pode tocar “Hallelujah” na versão do Leonard Cohen.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

WandaVision ainda é a serie do milênio e eu vou te provar

Escrito por Pedro Terasso


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    WandaVision ainda é a serie do milênio e eu vou te provar

    E é verdade. Mesmo quase um mês depois do lançamento do último episódio eu ainda não superei e aposto todas as minhas fichas que a maioria das pessoas também não. 

    WandaVision foi a abertura da 4ª fase da Marvel no seu universo cinematográfico e na minha humilde opinião de fã, a melhor abertura possível. 

Não é de agora que a patroa, Wanda Maximoff carrega muita relevância e uma fã-base que pode ser comparada a alguns dos Vingadores mais famosos do MCU, desde “Vingadores: Era de Ultron (2015)” A Feiticeira Escarlate Wanda vem conquistando a cada filme uma nova gama de fãs, muito por conta da sua popularidade já vinda das HQ’s, mas também por conta das suas inúmeras cenas lendárias, como a que ela para o ataque do Ultron sozinha após a morte do irmão, ou então quando ela segura Thanos (Potencializado por 5 das 6 joias do infinito) com uma mão, enquanto canaliza uma magia poderosa pra destruir a joia da mente no seu amado Visão. Não preciso nem lembrá-los do dia em que ela fez o Thanos pedir arrego né? Acredito que ainda esteja fresco na memória de todo mundo. 

    

    As séries da nova fase tem como objetivo primário mostrar como alguns dos Vingadores que ajudaram na queda de Thanos ficaram depois que tudo acabou e de quebra introduzir lentamente os Jovens Vingadores ao público. Mas a gente vai falar deles quando chegar a hora! 

    A primeira Ex-Vingadora a ter seu pós guerra explorado é Wanda e a série começa com uma pegada bem diferente, daquelas que se você não estiver totalmente de braços abertos a novas experiências, você vai achar horrível. 

    Nos dois primeiros episódios (Que por sinal saíram juntos), a série vende um sitcom dos anos 50 e 60 de forma muito esquisita. Nada daquilo é o que você espera ver da Marvel e apesar da sacada genial de lançar esses dois episódios “esquisitos” juntos, muita gente desistiu da série ali, a maioria voltou depois, mas ainda assim, desistiram. 

    Mas isso não é exatamente um problema quando você começa o 3° episódio e tudo começa a fazer sentido. Tudo aquilo antes era estranho pois se tratava de uma construção de realidade da Wanda e só a partir desse episódio esses pontos começam a ser apresentados pros espectadores. 

    Depois do começo morno a série melhora em uma sequência quase inexplicável, toda semana algo maravilhoso era mostrado ou até mesmo citado e eu posso afirmar com tranquilidade que o hype crescia em níveis estratosféricos a cada semana.  

 

    Nessa série nós temos todo um fã-service em volta da Wanda, mas temos também o retorno de personagens magníficos que tinham ficado um pouco do lado B da Marvel, com o Jimmy Woo, a Darcy Lewis e até mesmo o Visão que não teve exatamente seus melhores momentos nos filmes. Além disso temos a introdução de novos personagens que com certeza absoluta marcarão presença na nova fase, como a Fóton (que é a Monica Rambeau de Capitã Marvel, no seu mais novo mundo de super heroína), a famigerada Agatha Harkness e os mais novos queridinhos do mundo, meus filhos do coração: Tommy e Billy Maximoff. 

    Os gêmeos não foram exatamente uma surpresa pra ninguém, mas pelo menos pra mim, eles foram de longe o ponto mais alto da série. Essa aparição mostra claramente um legado sendo passado, Célere e Wicanno são membros fixos da equipe dos jovens vingadores e a série cria um cenário perfeito pra introdução deles, de forma sutil, mas ainda assim marcante. 

    Eu vou tentar segurar um pouco os spoilers diretos, não por que eu ache que alguém que vá ler isso não tenha visto, mas sim porque eu não quero vir aqui e ficar narrando todas as cenas pra vocês. 

    A série comete alguns pequenos erros durante seu percurso, mas nenhum deles tira o brilho da nota 10 que essa série merece, mas como somos justos, eu vou citá-los aqui. 

    A série tem só 9 episódios, o que não é um número ruim desde que você mantenha um ritmo constante pra chegar até o final desejado, e WandaVision acaba não conseguindo fazer isso com tanta maestria assim. 

    Primeiro, consideramos que o 1° e o 2° episódio não geram nenhum tipo de avanço pro plot principal e isso faz com que o tempo da série seja ainda mais reduzido, de 9 pra 7 episódios que devem contar o começo, meio e fim de uma trama sobre o luto da Wanda. 

    Eu não acho que o trabalho deles em manter o andamento tenha sido ruim, ainda com o prazo curto eles conseguiram fechar todos os pontos que precisavam ser fechados, mas a série avança por 8 episódios com aquela sensação de “Meu deus e agora como que eles vão resolver tudo isso em um episódio só?” e isso é ligeiramente incômodo pra quem está assistindo, porque fica aquela sensação de que não vai ser o suficiente e vai dar tudo errado no final, mas eu prometo que dá tudo certo. Bom, quase tudo. 

    Outro erro da série foi a reintrodução de Pietro Maximoff (Evan Peters) que aparece no 5° episódio da trama. No início você cria todo um hype e um milhão de teorias em cima dele, mas a realidade é que ele é tão irrelevante pra história da série que se ele não estivesse ali, nada mudaria. Inclusive, no último episódio quando a farra do “Fietro” acaba, ela acaba tão rápido e tão do nada quanto começou. 

    Por fim, a conclusão que eu cheguei foi que ele só foi colocado ali pra gerar um buzz e um hype em cima do mais promissor dos X-men do universo da FOX Films e nada além disso. Pietro acaba sendo só um rostinho bonito mesmo, assim como o Pietro da Era de Ultron (Aaron Johnson). 



    Mas tirando esses dois pontos, eu particularmente só tenho elogios pra série e eu vou falar deles agora.Vou começar com o meu favorito, motivo do meu derretimento e razão de todo meu amor. OS GÊMEOS SÃO INCRÍVEIS! 

    Eles passam por 3 fases de crescimento no mesmo episódio, como recém nascidos, depois com 5 anos e por fim eles se envelhecem até terem 10 anos antes de serem proibidos por Wanda de continuarem a fazer isso pra fugir dos problemas e das dores que eles sentiam, naquele momento em específico, pela morte do seu cachorrinho, o Sparky. E a proibição vem acompanhada de um discurso muito tocante sobre como a ordem da vida e da morte não pode nem deve ser alterada. 

    A escolha dos 4 atores que viveram os Gêmeos (na fase dos 5 e dos 10 anos) foi incrível. Os mais novos Baylen Bielitz (Como Billy) e Gavin Borders (Como Tommy), apesar do pouco tempo de tela, cativam o espectador quase que instantaneamente com uma sobrecarga de fofura, mas não muito depois acabam dando espaço pros mais velhos, Jullian Hilliard no papel de Billy e Jett Klyne no papel de Tommy e esses seguem no elenco até o final da série. 

    Jullian Hilliard já vinha de uma série de sucesso, depois de interpretar Luke Crain em A Maldição da Residência Hill e certamente nos serve um Wicanno descomunalmente fofo, poderoso e cheio de potencial futuro. 

    Já o pequeno Jett Klyne traz na bagagem vários pequenos papéis em grandes séries, como uma participação em O Mundo Sombrio de Sabrina e Boneco do Mal, mas eu arrisco dizer que WandaVision foi seu maior papel até agora. E novamente, não muito diferente do irmão, ele também serve fofura, uma dose de humor e definitivamente potencial futuro. 

    Tommy e Billy protagonizam cenas muito divertidas, como as das descobertas dos seus poderes e algumas muito importantes, como a que Billy sente a morte do seu pai. Não é difícil se apegar a eles, acontece instantaneamente e naturalmente. Eu conversei dessa série com muita gente e não conheci ninguém que não tenha ficado perdidamente apaixonado pelos garotos. Se eles forem a cara da nova geração, eu afirmo que ela está muito bem servida e representada. E eu definitivamente não quero que os atores sejam substituídos, prefiro que esperem os meninos envelhecerem um pouco mais. Eles são magníficos. 

"Fotos dos meus filhinhos. Espero que voltem logo."

    Agora vou falar da mãe deles, a dona de todos os corações. Elizabeth Olsen já vinha entregando ótimas atuações como Wanda, mas disparadamente seu melhor momento é em WandaVision. 

    Como todos nós sabemos, o motivo da vingadora ter criado o Hex na série, foi o colapso depois de se ver sozinha, tendo perdido os pais, o irmão e por fim seu companheiro e em termos de atuação, a atriz consegue passar cada milímetro, cada gota, da dor que a Wanda sentia.  

    É extremamente fácil vê-la como vilã nessa série, mas você acaba tirando esse rótulo dela justamente por sentir o que ela sente. Você se compadece com a Wanda, e no fundo todos nós conhecemos o coração dela. Sabemos que em sua origem e pra todos os indícios ela é uma heroína e que todo o mal que ela causou quando criou esse mundo paralelo, foi acidental. Isso se deve a além de um roteiro bem escrito, à atuação da Elizabeth Olsen.

    O terceiro e último ponto que eu vou mencionar aqui é a verdadeira vilã da série. Agatha Harkness também não foi exatamente uma surpresa, mas também foi um dos pontos mais altos da série.

    Ao final do episódio 7, é revelado que Agnes, a vizinha enxerida dos Maximoff é na verdade a lendária Agatha Harkness! Ela faz sua primeira aparição em uma cena bastante dramática que é seguida de um musical extremamente cativante, chamado “It’s Agatha All Along”, no nível de musicais das animações da Disney mesmo. E durante a duração dessa música, é revelado que Agnes Agatha estava por trás de muitos dos eventos controversos daquele mundo, como a aparição de Pietro logo após o discurso sobre vida e morte e até a morte do próprio Sparky, o cachorro dos meninos.

    A atuação de Kathryn Hahn deve ser elogiada no mesmo patamar da protagonista, senão melhor. Tanto as cenas dela como Agnes quanto as de Agatha são incríveis e mostram uma atuação de altíssimo nível. A atriz que atuou em mais de 40 trabalhos trouxe toda a sua experiência pro MCU e com certeza nos deu um papel inesquecível. Eu particularmente espero que ela retorne também, porque da mesma forma que aconteceu com os gêmeos, o público também criou uma afeição por ela.

    A série vai se construindo nessa narrativa de reviravoltas e fã-service até os dois últimos episódios. Lá é onde a verdadeira magia acontece, literalmente.

    Muitas pequenas informações são dadas nesses últimos episódios, como o nome “Feiticeira Escarlate” sendo dado a Wanda, algumas menções quase disfarçadas aos mutantes e até mesmo um Skrull que aparece na primeira cena pós-crédito do episódio final.

    Além disso, o Visão protagoniza uma cena muito boa enfrentando seu alter-ego vilanesco, o Visão Branco, onde eles falam metaforicamente sobre o paradoxo do Navio de Teseu. Os meninos tem uma cena rápida e simples, porém muito legal, parando alguns militares junto com a Mônica.

    Depois disso, Wanda e Agatha travam uma disputa de poderes realmente eletrizante, onde Wanda mais uma vez mostra uma extensão muito grande dos seus poderes, neutralizando Agatha por completo depois de um certo tempo de luta. E pra agradar ainda mais o público, Wanda materializa finalmente seu uniforme final, o da Feiticeira Escarlate. E eu juro pra vocês, ELE É LINDO.

                                                



    O final é bastante agridoce e eu confesso que chorei bastante vendo ele. Depois de ser confrontada em razão de todos os seus crimes, Wanda decide desfazer o Hex, mesmo que isso custe a existência do seu mais doce sonho. Billy, Tommy e Visão desaparecem depois de cenas de despedida capazes de derrubar uma montanha e formar um novo rio.

    Claro que pra alegria de todos nós e também pra não deixar toda a comunidade de fãs dos Maximoff órfã, na segunda cena pós crédito, é mostrado que Wanda está estudando o lendário Darkhold e nos últimos dois segundos de série, é possível ouvir a voz dos garotos gritando por socorro à mãe. Não sabemos porque, nem quando e nem onde. Mas devemos aguardar ansiosamente o retorno dos gêmeos.


    Pra conclusão desse texto: WandaVision é realmente a série do milênio. Ela abriu inúmeras portas dessa fase 4 do MCU e deu finalmente os rostos à nova geração. Se você me perguntar hoje se vale a pena assistir, a resposta é: Absolutamente sim! E se você me perguntar daqui 10 anos de novo, a resposta ainda será Absolutamente sim.

    Wandavision é tranquilamente uma nota 10/10, mesmo com os erros que eu comentei e eu particularmente não acho que nenhuma outra série dessa 4ª fase vá superar a qualidade e o apego que a série nos deu.

    E como última frase de efeito, eu gostaria de fazer um apelo: Marvel, por favor devolva a felicidade da Wanda. Ela merece mais do que qualquer outro personagem