Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de março de 2022

Batman (2022) - Sem Spoilers

 Escrito por Charles Oliveira (não tem spoilers, sério)


        Eu não consigo por em palavras escritas, a emoção e a alegria que eu senti vendo este filme. Ele é simplesmente incrível, do começo ao fim. 

        Para inicio de conversa, o filme entrega completamente tudo que foi mostrado nos trailers: um filme de investigação de um psicopata serial killer - que, no caso, é o Charada - além de uma Gotham completamente suja e abandonada. O clima do filme é muito idêntico a de filmes do diretor David Fincher, principalmente com o filme Se7en (1995), por se tratar de filme escuro, tenso e bruto. 

        The Batman tem uma violência que não é mostrada, mas que esta presente. As vitimas do Charada sendo encontradas com armadilhas que lembram bastante as armadilhas do Jogos Mortais, contribuem muito com a semelhança que se cria com o filme Se7en, além de termos o Batman presente nas cenas do crime, investigando e analisando tudo. 


        Além desse detalhe da violência, o filme tem um ritmo que não enjoa ao longo das 3 horas de duração de filme. O filme ter essa duração ajuda em muito para entregar tudo muito bem amarradinho. O roteiro desse filme, além de todo o tom próprio para o filme, parecem ter vindo diretamente de uma graphic novel original da DC - o que não me surpreende ao ver o filme foi escrito junto com o autor do mais recente graphic novel do Batman, "Batman - The Imposter". The Batman é uma excelente adaptação do universo do Homem-Morcego e que entrega vários personagens do filme, sem serem simplesmente jogados. O filme da o tempo para conseguir desenvolve-los bem. 

        Quero destacar aqui que todos, sem exceção, são incríveis nesse filme e eu simplesmente não consigo dar o destaque para um só. A Selina Kyle da Zoë Kravitz tem uma química de outro mundo com o Batman. O Gordon, que ainda não é comissário, do Jeffrey Wright te faz acreditar que ele ainda tem esperança no trabalho dele e que ele quer muito a ajuda do Batman para fazer as coisas certas. E, para terminar, o Robert Pattinson é um OTIMO Batman, sem tirar e nem por. Ouso até dizer que ele vai ser o Batman definitivo de muitas pessoas, porque tudo que você espera em ver na questão de como o Bruce Wayne lida em ser o Batman, ele entrega. Além do trabalho impecável dos atores, Michael Giacchino (responsável pela trilha sonora) e Greig Fraser (o diretor de fotografia do filme) mandaram muito no filme. A trilha-tema do Batman é uma coisa que te arrepia da cabeça aos pés e a fotografia do filme é um absurdo. O fato do diretor ter trazido a tecnologia criada para a serie The Mandalorian (2019), de um set com imagens dinâmicas vinda de telas de LED, enchem mais os olhos. 


        Existem alguns outros detalhes que o filme entregam - até mesmo, referencias a varias sagas dos quadrinhos - que, sinceramente, seriam pequenos spoilers se eu falasse e a intenção deste texto é entregar o mínimo de spoilers o possível. E eu recomendo demais que você vá ver esse filme, sem ter visto nada além dos trailers - e desse texto, é claro. The Batman é um filme único e que sim, se você puder, vale completamente a pena ver nas telas do cinemas. 

Nota: ★★★★✩ (na moral mesmo, eu queria dar quatro estrelas e meia, mas eu não sei ainda editar para colocar meia estrela, então... desculpa, a verdade é que a nota é 4,5/5)

The Batman (EUA, lançado no dia 04 de Março de 2022) é um filme composto por Robert Pattinson, Zoë Kravitz, Paul Dano, Jeffrey Wright, Andy Serkis, Colin Farrell, John Turturro e Peter Sarsgaard. Roteiro de Matt Reeves, Peter Craig e Mattson Tomlin; trilha sonora por Michael Giacchino e direção de Matt Reeves. Sua duração final é de 176 minutos (ou duas horas e cinquenta e seis minutos).

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Temos mais espaço para zumbis na cultura pop?

 Escrito por Bruno Boldrin

        Na semana de lançamento de Army of the Dead, filme dirigido por Zack Snyder (Liga da Justiça e 300), a Netflix liberou o trailer de Resident Evil: Infinite Darkness, a série animada em CGI foi anunciada em agosto de 2020, na época a Netflix havia anunciado que tinha planos para um reboot dos filmes em live-action chamado de “Welcome to Raccoon City”, adaptando os primeiros 2 jogos da franquia, e uma série em CGI, que nesta semana revelou seu lançamento, programado para 8 de julho de 2021 e contam com Leon Kennedy e Claire Redfield como protagonistas até o momento.

        A questão é, será que ainda existe espaço para essa formula?


        Não é de hoje, que os vínculos de entretenimento vêm ganhando rios de dinheiros com os monstrengos. São livros, filmes, séries, jogos, card games, fantasias, eventos inteiros como parques temáticos, totalmente voltados para o assunto. A formula quase certa de dinheiro, mas nem tanto de sucesso deu uma respirada nos últimos anos, mas ainda sim parece que ainda é difícil se destacar quando o assunto é trazer os mortos de volta. (piadoca logo no começo pra vocês)

        A indústria pop sempre teve tendências em seus meios, se um filme tiver um destaque por se destacar em algo, normalmente esse assunto ou plot será usado até serem esgotados. Ultimamente tivemos o exemplo do plot de “desconstrução de heróis”, não é algo totalmente novo, algumas revistas em quadrinhos trabalhavam roteiros dessa maneira a bastante tempo, mas com a chegada de The Boys em julho de 2019, criou uma tendência de outros vínculos em quererem explorar o conceito, com isso recebemos outras adaptações ou novas criações do mesmo assunto, o que podemos dizer que não é ruim.

        Invencível; O Legado de Júpiter; Power, todas elas apesar de estarem tratando da “desconstrução de heróis” elas estão explorando universos e histórias diferentes, apesar de parecidas elas são totalmente diferentes. A questão é que esse tema é consideravelmente novo, com muita coisa histórias e assuntos para serem tratados e abordados ainda... Agora quando falamos de zumbis, estamos falando de um tema que vem sendo utilizado pela indústria a décadas, e ultimamente os filmes mais especificamente, não vem conseguindo seu um destaque a tempos.

        A última atração que caiu na graça do público foi o lançamento de “The Walking Dead” lá em 2010, fazendo com que a outros vínculos fizessem de tudo para entrarem no meio do trem do hype, com isso até mesmo a indústria de vídeo games nos próximos anos foi saturada com inúmeros conteúdos de zumbis que muitas vezes eram produções meia boca, que tentavam ganhar seu espaço. A questão é que The Walking Dead não criou o gênero de zumbis, e nem foi o primeiro a adaptar algo no tema. No fim, o que fez com que o público voltasse ao com todo alvoroço atrás do tema de novo?

        O que deu o destaque a The Walking Dead não foi o gênero em si, mas como ele é abordado. Em 2002, “Resident Evil e o hospede maldito”, chegava aos cinemas. E trouxe um calor para um público jovem da época que muitas vezes não conheciam os jogos, e que estavam carentes do gênero.

        Os filmes de Resident Evil, não eram boas adaptações dos jogos, não eram bons filmes independentes por si só... Com um roteiro fraco, cheio de furos e interpretações dignas de um lanche e um refrigerante como pagamento, como o filme conseguiu ganhar tanto público na época? 

        A questão foi que Resident Evil, trouxe de volta aos cinemas um gênero que estava “no freezer” a um bom tempo, sem ideias para ganhar seu espaço. Além de tudo o filme tomou do cálice de outras franquias que estavam ganhando seus destaques. As cenas de ação contavam com um toque de “Matrix”, além de carregar o nome de “Resident Evil” que na época já era um nome de referência nos vídeos games, porém sem força em outras mídias.

        Com o tempo, tanto a franquia de jogos quanto a de filmes, acabou se desgastando, mas continuaram lançando seus produtos. Nos filmes, com o tempo além de Matrix, os longas tentaram (sem sucesso) beber das fontes de Anjos da Noite, os fãs que cresceram acabaram deixando a franquia de lado e percebendo que o gore e as cenas de ação do filme só eram boas nas memórias. E acabou que chegou a hora de se reinventar de alguma maneira.

        Em janeiro de 2005, a Capcom, entendeu que depois de inúmeros jogos da franquia, não só o roteiro e o gênero, mas as ferramentas do jogo em si estavam ficando datadas, e repetitivas. Ganhar os fãs em 1996 era bem mais simples, sem nenhum outro título de peso para que os fãs pudessem comparar, acabou que o jogo ganha seu espaço e dita as regras do gênero como pioneiro, agora quase 10 anos depois, a Capcom apostava em novas ferramentas e novas abordagens para a franquia.

        Finalmente abandonando o plot do C-Virus e todo a temática de zumbis de lado, o jogo explorava mais elementos de “horror shooter”,  apostando mais em um jogo de ação, a onde o jogador mais atirava do que resolvia os quebra-cabeças, porém ainda tentando manter um visual de “terror”, porem em uma abordagem diferente.

        O desenvolvimento do jogo foi tão diferente dos seus anteriores, que acabou dando à luz a franquia Devil May Cry, a questão foi que o jogo agora bebia muito da franquia dos filmes, porém ainda sim com um toque de animes, principalmente nas cutscenes. Leon agora era um protagonista muito mais badass do que o antigo Leon que foi mostrado anos atrás em Resident Evil 2.

        Apesar dos desvios entre os filmes e jogos, as animações independentes de Resident Evil, sempre traziam os zumbis e inimigos clássicos de volta. Porem apesar de tudo, nunca conseguiam seu espaço... Além dos roteiros bem genéricos, cenas de ações bem galhofas, algumas por serem extremamente exageradas, outras por sua coreografia horrorosa, as animações eram pra um público muito especifico, então já sabendo do histórico de conteúdo de Resident Evil, o que podemos esperar de Infinite Darkness? Agora com um desenvolvimento feito pela Netflix.

        A Netflix agora tem uma missão um tanto quanto complicada, muito mais dinheiro está envolvido na produção, e tendo em mente que o público que será atingido será muito maior, com isso vem muito mais as cobranças.

        Sendo uma “série animada” tudo dá a entender que teremos um enredo desenvolvido com mais calma, talvez com um toque e conspiração entre o governo e a Umbrella Corporation. Mas ainda assim, os fãs tem que ter em mente que Resident Evil é um produto de origem asiática, e não um produto do ocidente. As escolhas de cenas, coreografias, desenvolvimento e ritmo do roteiro de Resident Evil Infinite Darkness, com certeza, será mais próximo com o de um anime, do que um filme investigativo do Tom Clancy por exemplo. A questão é como o público, nas Américas e Europa irão receber o filme, e como a Netflix fara para conseguir seu destaque nesse meio.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

O Efeito Avatar - a ascensão e a queda do 3D

Texto escrito por Charles Oliveira


Calma, eu sei que de inicio irão ter vários termos específicos mas, pega na minha mão e vem comigo.

Quando você esta assistindo a qualquer coisa no seu computador, no seu celular ou na sua TV, o que é menos notável de se criticar é se o filme esta propondo a devida profundidade de suas cenas. Pois o maior motivo disso é que você esta vendo um filme em uma perspectiva plana. O mesmo vale quando você vai ao cinema: quando você entra na sala e o filme esta sendo projetado na tela, não importa o ângulo que você sente, a sensação de perspectiva será a mesma pois, o filme esta sendo exibido em uma tela plana.

Agora, para um filme 3D, a ideia é diferente. Em teoria, a funcionalidade do 3D é proporcionar a sensação de tridimensionalidade em uma imagem chapada, por conta de uma técnica de três contornos em uma imagem. Por isso, se utilizava aqueles clássicos óculos com as lentes azul e vermelho, para com que imagens contornadas (ou sobrepostas), enganasse o sistema ótico das pessoas para com que uma imagem chapada oferecesse a sensação de tridimensionalidade. 

Muito técnico para um inicio de texto, eu sei, mas vamos continuando...



Antigamente, esse conceito de filmes eram utilizados em vários filmes de ficção cientifica como "It Came From Outer Space" de 1953, que é considerado como um grande clássico "trash" da ficção cientifica. Porem, quase 60 anos, após o primeiro filme citado ser lançado, essa tecnologia foi aperfeiçoada para o entretenimento audiovisual. 

No meio deste caminho, houveram alguns filmes que tentaram utilizar do 3D para atrair o publico para uma nova experiência nos cinemas mas, nada passava de uma pura forçada de perspectiva em momentos que não eram próprios para o 3D estar em uso. Um grande exemplo que posso trazer para vocês é o filme "Pequenos Espiões 3-D" que, basicamente, o filme pode ser resumido com a imagem abaixo:

Em resumo, o 3D nos cinemas eram uma tecnologia que era utilizada como uma ferramenta para enfeitar filmes rasos. Haviam alguns filmes que eram foras da curva como "O Expresso Polar" ou  "A Casa Monstro" que "funcionavam", mas que você sentia que o filme não era feito propriamente para ser visto em 3D. No fim, não existia o escopo para filmes que fazem sucesso de bilheteria utilizarem o 3D, pois ninguém fazer alguma coisa especificamente para aquela tecnologia ultrapassada... até que Avatar entrou em cena.

Avatar foi visualmente impressionante em 2009, porque ele foi feito explicitamente com esse propósito: utilizar o 3D. Talvez, você ache que ele seja somente um apanhado de clichês do "soldado americano ficando com a jovem do povo nativo" e está tudo bem. Só que você tem que concordar que Avatar foi inovador. Porque? Por que ele foi feito para ser assim. Ele foi feito para ser inovador em película, da mesma forma que 10 anos depois, "Projeto Gemini" quis ser com os 120 frames na projeção. Foi feito para ser inovador na forma clássica de consumir filmes. Foi feito para ser inovador dentro do novo meio de consumo de filmes. E foi feito para ser inovador ao ser visto em 3D.

Esse é o motivo do 3D ter funcionado.

O ambiente do cinema mudou de tamanha forma, que fez com que muitas televisões, DVD e blu-ray players e alguns jogos fossem lançados também com essa tecnologia. Até mesmo, a mais conservadora de todas as empresas de jogos, a Nintendo, lançou o seu portátil com o 3D. Todo mundo queria aproveitar o buzz que o filme Avatar ofereceu com o seu lançamento. 

De 2010 para frente, para muitos estúdios, mesmo que eles não assumam, o grande ideal era mudar a ideia de que "não existia o escopo para filmes que fazem sucesso de bilheteria utilizarem o 3D". Por conta da bilheteria que Avatar arrecadou para a 20th Century Fox, o ideal era lançar filmes em 3D. 

Depois de Avatar, foi extremamente difícil de achar filmes que tentassem criar algo com o 3D e que não fossem mais um filme "Sharkboy e Lavagirl" da vida - que forçam a perspectiva, balançando os braços na sua frente, ou que claramente o filme foi filmado em película ou em digital para depois ser convertido para o 3D. Filmes como "Fúria de Titãs" (2010), "Tron: O Legado" (2010), "A Lenda dos Guardiões" (2010) e "Transformers: O Lado Oculto da Lua" (2011) entraram na locomotiva dos filmes em 3D. Até mesmo o filmes da Marvel Studios passaram a serem lançados em 3D, depois do lançamento do primeiro filme do Thor, em 2011.


Filmes como (da e/d) Lenda dos Guardiões, Furia de Titãs, Tron: O Legado e Transformers: O Lado Oculto da Lua, sofreram do efeito "Avatar".


A ideia é que, na média que o tempo foi passando, mais e mais filmes flertavam com o 3D, chegando no ápice de 25% das salas de cinemas*, serem obrigatoriamente montadas para funcionar com uma exibição em 3D. Tudo isso, por conta do que podemos chamar de Efeito Avatar, que causou no mundo dos cinemas. Tudo isso, para conseguir atrair mais publico para o cinema. Esse efeito criou uma bolha tão grande entre 2010 e 2015, que até o diretor Martin Scorsese filmou a adaptação da obra "A Invenção de Hugo Cabret" de 2011, em 3D, onde para ele "os atores eram mais abertos emocionalmente" segundo uma antiga entrevista

Mas, igual a toda bolha, ela acaba tendo que estourar. 

Essa quantia massiva de filmes que eram lançados em 3D, encareceram mais ainda os ingressos para os cinemas e geraram uma saturação excessiva de filmes que somente eram lançados em 3D para lucrar mais com as bilheterias. Com isso, o publico começou a cansar dessa "inovação" e a audiência para filmes em 3D começou a cair mais e mais. Em 2017, a IMAX chegou a anunciar que o 3D não era mais um padrão para eles, já que o publico norte-americano havia parado de frequentar as sessões em 3D. 

E, de fato, o publico realmente cansou de assistir filmes em 3D porque (por experiência própria) a vista cansava, os filmes haviam horas que eram extremamente escuros, haviam momentos que a legenda embaçava do nada ou simplesmente, aquele filme não tinha NADA de 3D ali.

Depois do estouro dessa bolha, menos filmes eram lançados em 3D. Pouquíssimos eram gravados direto em 3D, enquanto a maioria eram convertidos na pós-produção. Até o fim de 2019, o único filme notório que foi lançado para 3D, foi a ultima parte da saga Star Wars. De dezenas de filmes blockbuster no inicio da década, o 3D foi resumido em um único filme no fim da década. 

E, com a chegada da pandemia, creio que isso foi a ultima pá de terra para a queda do 3D. 

De fato, no inicio, os filmes em 3D eram de encher os olhos, pois eles eram feitos para explorar a tecnologia sem ser uma coisa extremamente forçada. Era um "revival" de um efeito muito explorado em décadas passadas nos cinemas, conforme exemplifiquei antes, mas essa saturação por conta desse Efeito Avatar, acabou com o tal "revival" do 3D. Os filmes estavam voltando a fazer os mesmos feitos que o "Pequenos Espiões 3D" fizeram: forçar desnecessariamente a perspectiva. 

E, sinceramente, mesmo com o lançamento de Avatar 2 em breve, não acredito que o 3D voltara com a mesma forma que teve em 2010. 



Nota da redação*: a porcentagem utilizada no texto, seguiu em base as salas de cinemas que haviam na cidade de Araraquara, São Paulo; onde o autor do texto mora.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Godzilla vs. Kong (crítica com spoilers)

Uma critica escrita por Charles Oliveira



    Godzilla vs. Kong é uma espécie de evento. Ele funciona exatamente como uma season finale de uma série iniciada em Godzilla de 2014. E, por se passar dentro deste universo, o ritmo do filme é bem similar aos primeiros filmes, o que, honestamente, pode ser visto como um lado negativo pois todo o ritmo que envolve os humanos são todos compostos de teorias, fanatismos tecnológicos e, uma burocracia extraordinária. Pelo menos, dentro deste lado ruim, somos recompensados com as cenas de interação com o Kong e a menina, através da linguagem de sinais. Isso demonstra o quanto o Kong é inteligente, logo de cara, caso você não tenha visto ao filme Skull Island. 

    E é interessante que de início, o filme demonstra que há lados que defendem os Titãs, há lados que só querem preservar a vida da espécie Titã e a humana, e o Lado que somente quer o caos. E dentro desse lado que quer defender os Titãs entra a parte das conspirações, onde mostra que o personagem do Bryan Tyree Henry é um podcaster conspirador a favor dos Titãs, tanto que ele estava dentro do complexo da Apex no momento do "suposto" ataque do Godzilla. E nisso, temos a ligação com a personagem da Millie Bobby Brown que, por conta dos eventos do último filme, não acredita na incriminação de Godzilla e vai atrás de ajudar o podcaster a defender o Godzilla.

    O "legal" do filme é que a evolução tecnológica das empresas, são completamente sem ligação com nada e, a sensação é que a cada dia que se passa, os filmes do universo de monstros da Legendary Pictures, se liga cada vez mais com o universo de Pacific Rim. Terra oca, o trono do Kong próximo ao eixo gravitacional do planeta, a viagem rápida dos EUA para Hong Kong e o link cerebral de um piloto para o Mechagodzilla, TUDO ISSO mostra o quão próximo estamos de Kong e Godzilla vs os Kaijuus de Pacific Rim. E são, somente, nesses pouquíssimos momentos que esse núcleo mencionado antes aparece, pois a medida que o filme passa, o foco fica mais no núcleo humano do Kong, do que no núcleo humano do Godzilla.



    O ponto principal do filme são as lutas. Ao todo, são cerca de 3 lutas entre os monstros. Com menos de 40 minutos de filme já somos brindados com as melhores partes, que são as brigas dos kaijuus. A luta em cima dos navios, é muito maior do que o trailer conseguiu vender e isso é um ponto chave. Podem dizer o que for, mas a primeira briga é maravilhosa e, ela é a única coisa que salva o filme. E, por se passar no terreno que Godzilla tem mais vantagem, o Kong sai derrotado. 

    Já na segunda luta, nós temos toda uma construção. O filme estabelece que agora, Kong de fato detém o seu título de rei por chegar no centro da terra e ter encontrado o seu trono. Lá, o filme mostra que o rei tem um machado com uma energia bem similar com a energia plasmática que o Godzilla emite. Então, ao recarregar a energia do machado, Godzilla sente isso, abrindo um buraco para o centro da Terra bem no meio de Hong Kong. Expliquei tudo isso, pois (mesmo que tudo isso seja uma loucura) mostra todo o cenário em que nós encontramos: Para Kong poder reinar, Godzilla precisa estar morto. E nisso temos a segunda luta entre os dois, que resulta numa vantagem terrestre de Kong sobre o Godzilla. 

    Ao longo do filme, novamente fica a sensação de que Godzilla vs Kong, era uma espécie de Kong 2, é muito grande pelo fato de termos muito mais desenvolvimento de Kong do que o de Godzilla, que tá ali para limpar o seu nome e destruir as pesquisas da tal Apex para não haver nada similar a ele. Mas, nesse cenário, Godzilla sai derrotado.

Os núcleos humanos que compõem os momentos solos com os monstros.
Crédito: Warner/Divulgação

    As duas lutas, que constroem todo um ápice para a luta final, são belíssimas de ser ver e o filme chega a passar o ar de filme de super-herói (e depois que você assiste o filme, fica completamente explicito que ele quer passar esse ar); mas a chegada do Mechagodzilla para a luta final é um tremendo banho de agua fria. De uma hora para a outra, o filme fica completamente acelerado e a luta final deu a mesma sensação de "questionamento da vida" que senti vendo o filme do Quarteto Fantástico de 2015. Por conta dessa aceleração, o filme parece que enrola todo e simplesmente, acaba.

    Como disse no começo, Godzilla vs Kong é uma espécie de evento, uma season finale para a saga que se iniciou com o filme de 2014 que quer passar um ar de super-herói. O filme é literalmente tudo isso misturado, além da brigas entre dois grandes monstros dos cinemas (e o ritmo que cada um dos monstros trouxe de seus filmes solo), com a inclusão de um núcleo de atores e atrizes famosos. Tudo isso, dentro de um filme de menos de duas horas. Sinceramente, o resultado final disso é um filme confuso que não sabe definir um ritmo.

Nota: ★✩✩✩✩

Godzilla vs. Kong (EUA, lançado nos Estados Unidos no dia 31 de Março de 2021 e lançado no Brasil no dia 29 de Abril de 2021) é um filme com o elenco formado por Alexander Skarsgard, Millie Bobby Brown, Rebecca Hall, Eiza Gonzalez e Bryan Tyree Henry. Roteiro de Eric Pearson, trilha sonora por Junkie XL e direção de Adam Wingard. Sua duração final é de 105 minutos (ou uma hora e quarenta e cinco minutos).

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Marvel Studios revela o primeiro trailer do filme do Shang-Chi

Noticia escrita por Pedro Terasso


Olá a todos, esse é o primeiro teste desse formato de cobrir algumas notícias importantes do mundo Pop.


Hoje à tarde nós tivemos a revelação do primeiro trailer de Shang-Chi e a Lenda dos dez anéis, e apesar de ser um filme já esperado da nova fase do MCU, o trailer foi incrivelmente surpreendente.

Ele cumpriu bem a sua função de gerar hype no público e indica que a Marvel vem tentando emplacar novos heróis, mais desconhecidos, assim como fez com os Guardiões da Galáxia.

O ator principal Simu Liu também demonstrou toda a sua empolgação no Twitter, agradecendo a Marvel pelo trailer e também pelo presente de aniversário.


Confira o trailer e as reações do ator abaixo:


O canal da Marvel Brasil, no Youtube, também liberou o trailer dublado:



sexta-feira, 9 de abril de 2021

Na Visão do Diretor

Escrito por Charles Oliveira

 Atenção: esse post não tem nenhum tipo de spoilers além dos vistos em trailers e imagens divulgadas antes do lançamento do filme. Se caso, você não assistiu ao filme e esta com medo de spoilers, saiba que as imagens utilizadas no texto são vindas de fontes promocionais e de screenshots dos trailers. 

Mas temos a nossa critica (com spoilers), publicada no blog e um episodio especial (também com alguns spoilers) no nosso podcast.




Na arte, o principal objetivo de um criador é transpor a sua visão para aquele feito. No cinema, muito disso é realizado por diretores de renome. Vemos muito disso em filmes como "O Poderoso Chefão", "Os Bons Companheiros", "Drive" e até mesmo em "Creed"; o que mais se destaca nesses filmes são as assinaturas de seus diretores. E isso, aconteceu em Liga da Justiça: A Versão de Zack Snyder (Zack Snyder's Justice League, 2021) e aconteceu com força.

Caso você, caro leitor, não saiba o que tenha acontecido irei resumir para você: a produção deste de filme foi deveras conturbada, principalmente por conta do relacionamento entre o diretor e a sua distribuidora. E essa "richa" vem desde o lançamento de O Homem de Aço (Man of Steel, 2013) que teve uma recepção morna por parte das criticas. Mesmo que isso tenha dado um gás para que a DC Comics, pudesse construir o seu multiverso para, futuramente, competir com os filmes da Marvel Studios; digamos que o estudio não estava esperando essa recepção morna por parte da critica, principalmente vindo de um filme dirigido por um diretor que já havia adaptado duas graphic-novels de sucesso para os cinemas (300 em 2007 e Watchmen em 2009).

Eis que então veio Batman vs Superman - A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016) e meu amigo, deu no que deu. Foi Ultimate Edition dali, "Save Martha" acolá, 29 milhões de historias da DC sendo adaptadas em uma coisa só e hate, atrás de hate. O filme tomou um 29% no Rotten Tomatoes, o que chegou a gerar um ódio por parte de um dos produtores contra o site. O que isso causou? Mais abalo no relacionamento Warner e Snyder. Resultado? Mais uma produção conturbada para o diretor que estava iniciando as filmagens de Liga da Justiça e... o resto é historia. 

E o fato de Zack ter saído meio que como vilão, por ter "abandonado o filme" (quer dizer, gente, se tratava da família dele e do fato de que a filha dele tinha tirado a sua própria vida) fez com que os fãs do diretor quisessem que o filme que o diretor havia escrito não fosse engavetado e fosse lançado do jeito que foi idealizado. Dai então surgiu o movimento "#ReleaseTheSnyderCut" que foi movimentado ferrenhamente pelos fãs junto de abaixo-assinados e até mesmo memes.


Principalmente nas Comic-Cons de San Diego, os fãs faziam banners para movimentar a hashtag.



No Twitter e no Vero, o diretor vivia dando screenshots do que ele havia idealizado para o filme e dando retweets dos atores do filme movimentando a hashtag.


Até mesmo, o showrunner da serie animada Harley Quinn (2019) aproveitou para incluir o movimento como uma piada (que, segundo o showrunner, foi levado na esportiva pelos fãs)


Então, eis que em maio de 2020, é anunciado que a visão do diretor iria ser exibida para os fãs, dando direto até de um orçamento para gravar cenas adicionais para o filme. O publico entrou em delírio, principalmente quando, em agosto de 2020 no DC FanDome, o primeiro trailer de SnyderCut (agora, um titulo oficializado pelo estúdio) foi lançado. E o principal detalhe notado foi a diferença drástica do "aspect ratio" do filme. 

Traduzindo, "aspect ratio" significa proporção da tela em relação a exibição da imagem bidimensional na tela. Traduzindo de novo, tem a ver com qual dimensão aquele filme será exibida para passar melhor a visão do diretor para o seu filme. E a proporção de tela bastante comum que vemos nos filmes atuais é a "widescreen" que nos proporciona as famosas faixas horizontais na tela. (Inclusive fica aqui a recomendação de um vídeo que explica de forma bem didática como funciona o aspect ratio em filmes).

No filme de Zack Snyder, foi optado o uso de uma proporção de tela muito similar a uma proporção mais quadrangular. 


Mesmo com muitos, que ficaram interessados no relançamento do filme, se perguntando "essa escolha de exibição não faria com que o filme perdesse mais detalhes nos cantos?", fãs no lançamento do primeiro teaser comentaram que aquela escolha deveria ser motivada pelo fato da cópia do filme que o diretor tinha era baseada numa exibição em IMAX (já que a proporção da tela de um IMAX é completamente diferente da proporção de uma tela de cinema comum).  

Porem, em uma entrevista para o Justice Con (um evento independente que ocorreu em 2020 via internet para celebrar esse lançamento), o próprio Zack Snyder veio explicar o por que desta proporção. 

"Quando gravei Batman v Superman, houveram diversas cenas em que gravamos com as câmeras em IMAX. E eu penso que o cinema é como uma grande feira de ciências, em que vivemos testando diversas coisas. Quando assisti ao Batman v Superman, eu me senti completamente obcecado pelo "aspecto quadradão". E com a maioria dos produtores, ficando obcecados por "mais widescreen, mais widescreen", eu senti que esse filme merecia algo mais diferente. Então, optei por fazer toda a filmagem em IMAX mas com a proporção travada em 4:3"

O diretor Zack Snyder aproveitou o painel para exemplificar, no papel, como o filme foi gravado originalmente e o que nós vimos com o lançamento dele em 2017. (Fonte da entrevista: canal Justice Con)

"Então quando a produção começou as filmagens, eu realmente estava apaixonado neste conceito principalmente que, pra mim, super-heróis tendem a ser figuras mais verticais fazendo sentido dentro desse conceito", finalizou o diretor. 

Lembra daquilo que falei no inicio do texto? Na arte, o principal objetivo de um criador é transpor a sua visão para aquele feito. É exatamente o que o diretor esta conseguindo fazer. Nessa entrevista é interessante a fala "estamos trabalhando para restaurar o filme na proporção original que ele foi feito" até brincando que os pequenos sneak peeks que ele lançou no Twitter, não eram cortados para serem exibidos em todas as redes sociais e sim, é o conceito original da fotografia do filme; o fato do filme ser quadradão é por conta da visão que o diretor teve para o filme.

Particularmente, fui uma das pessoas que achou maneiro a forma que o filme será exibido pois, principalmente nos últimos filmes do diretor Christopher Nolan, é bem comum você estar assistindo ao filme e a proporção da tela ficar mudando toda a hora (já que em planos fechados e internos, a maioria das vezes os seus filmes são gravados em widescreen e, ao cortar para planos externos e de ação, a proporção vai para o IMAX de uma hora para a outra). Para mim, é a recompensa perfeita para aqueles que movimentaram em peso o #ReleaseTheSnyderCut e receberam o estúdio dando total liberdade para o diretor original poder concluir a sua visão para aquele universo de heróis que ele havia criado com O Homem de Aço. 

Se puder, pode tocar “Hallelujah” na versão do Leonard Cohen.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Liga da Justiça de Zack Snyder (crítica com spoilers)

 Uma crítica escrita por Charles Oliveira

    Eu confesso que estou muito nervoso com o que as próximas palavras possam gerar, possam me propor no futuro. Mas, honestamente, é como o Barry no filme: "Faça o seu futuro. Faça o seu passado.". Essa é a primeira vez que eu iriei escrever sobre um filme, então... espero que fique tudo certo.

    O tão conhecido #SnyderCut. Uma hashtag que foi movida e cultivada pelos fãs ao longo de cinco anos, enfim, tem o seu resultado entregue. Antes de mais nada, tenho que assumir que eu gosto do Liga da Justiça de 2017, que o Joss Whedon costurou; mesmo com todos os erros de continuidade, os cortes e refilmagens feitas para o filme sair no prazo da Warner e seguindo o gosto do estúdio também. Eu gosto, mas concordo e dou 100% de certeza que o "corte do Whedon" é nada comparado com a visão original do Zack Snyder. 

    Eu gosto de pensar na forma em que o filme é resumido em poucos minutos durante a cena em que a Lois Lane é introduzida no filme. Ali é mostrado a rotina dela de pegando o café e levando pro policial, que patrulha os escombros da estatua do Superman, no centro de Metropolis, que se tornou um memorial a figura do Superman e, para Lois, era uma forma dela ainda ter contato com o Clark. Para mim, em todas as nuances, o significado do filme é resumido ali.


    O filme em si, sofreu muito nos bastidores por conta dos atritos em o diretor e o estúdio; e para todos, a tragédia com a família do Zack Snyder era um ponto final. E com a entrega do filme, essa cena demonstra que a personagem pode ser traduzida para o diretor após tudo isso. Não é a toa que, nas exibições norte-americanas pelo HBO Max, há um pequeno vídeo do Zack dizendo que ele agradece ao apoio de sua esposa, ao AFSP e de seus fãs. Não é a toa que no fim, o filme foi dedicado a sua filha. Acontece que, para o diretor, esse corte o faz lembrar de sua filha e de todo o tempo que ele e sua esposa passaram no processo de luto. E nessa cena, a Lois Lane se encontra nesse mesmo processo de luto, se curando da perda de uma pessoa que era importante para ela. 

    Um outro detalhe que completa mais ainda essa essência, é a musica, no qual Distant Sky do grupo australiano Nick Cave & The Bad Seeds foi escolhida. Essa musica faz parte de um álbum chamado "Skeleton Tree", que foi todo escrito pelo vocalista Nick Cave, onde o principal tema do álbum é a perda e todos os processos para vencer essa dor. O vocalista utilizou da musica, um meio de poder passar por esse processo já que em 2015, ele havia perdido o seu filho em um acidente. Distant Sky compõe a cena (dando o devido destaque ao trecho "Eles nos disseram que os nossos deuses sobreviveriam a nós // Eles nos disseram que os nossos sonhos sobreviveriam a nós // Mas eles mentiram") para justificar mais ainda todo o processo deste luto e do por que a Lois Lane ainda mantinha aquela rotina; do por que ela dizer que ela gostava de ir lá.

    Mas, sinceramente, mesmo sem toda essa explicação, é notório que para o diretor, esse filme era um memento da época em que a sua filha ainda estava viva. Tanto que no fim, não importa se o aspect ratio do filme está quadrado, o que importa é a satisfação e o sentimento de que aquilo era tudo que ele queria entregar no final. 


    Muito se perguntaram do motivo do filme ter quatro horas de duração e, até mesmo, vi que em muitos lugares a resposta é "o filme só tem quatro horas pois metade do filme é em slow-motion" (uma marca registrada do diretor). Honestamente, sinto que o filme tem quatro horas por conta do desenvolvimento dos personagens além da "santíssima trindade" que já foram desenvolvidas no Batman v Superman, já que se você ver em um grosso modo, o filme de 2017 e o filme de 2021, têm a mesma premissa que é o Batman e a Mulher-Maravilha reunindo um grupo para deter uma guerra intergaláctica e, para isso, eles precisam bolar um plano para ressuscitar o Superman. 

    Só que, ao contrario do filme de 2017, esse filme tem muito mais tempo para desenvolver essa guerra, tem mais tempo de colocar piadas no ponto que precisa por, tem mais tempo para demonstrar os resultados da Terra se eles perderem a guerra (mesmo que, no fim, isso não importa já que ainda não há planos de uma sequencia para o Snydercut) e ele tem mais tempo para mostrar o quão grandiosos esses heróis podem ser. 

    No meu ponto de vista, o filme melhorou bastante a motivação (e a aparência) do vilão Steppenwolf, com a sua ligação ao Darkseid e melhorou mais ainda o processo de retorno do Clark dos mortos, já que no filme original, ele simplesmente saia da fazenda dele e ia pra Rússia salvar a Liga. Aqui a gente tem o processo dele recuperando as memorias dele, indo até a sua nave com uma excepcional montagem de diálogos com os seus dois pais, o seu primeiro voo após voltar a vida, a sua ida até ao Alfred para poder entender a situação das coisas para, aí sim, ir para Rússia sair no soco com o Steppenwolf. 

    Além disso, necessito dizer que o Cyborg melhorou em muito no novo corte. Historia de origem, interação com grupo, o seu relacionamento com o pai, esses três pontos melhoram muito e se condiz com aquele pequeno preview que vimos no Batman v Superman, onde o Lex Luthor tinha imagens secretas dos heróis. Agora é compreensível (mais ainda) toda a indignação do Ray Fisher e suas discussões com Geoff Johns e Joss Whedon.


    Confesso que para escrever esse texto, eu deveria ter ido assistir este filme, sem nenhum tipo de expectativas em busca de capturar as minhas reações e conclusões sem estar movido pelo hype. Mas, este corte não consegui estar fora do hype, então eu estava muito empolgado para assistir ao Snydercut (é CLARAMENTE perceptível ver a minha alegria depois de ter assistido ao filme pela primeira vez, ao gravar esse episodio) mas o filme, para mim, não teve 100% de acertos. 

    Após reassistir algumas vezes, houveram alguns detalhes nos quais eu achei desnecessário ter incluído e uma delas foi o Coringa do Jared Leto. Sim, nas primeiras duas vezes achei o dialogo dele com Batman uma coisa digna de Piada Mortal; achei muito incrível ele assumir a culpa pela morte da Lois, que gerou aquele futuro - que agora podemos dizer que é o futuro do jogo Injustice - mas, depois que você reassiste essa cena pela terceira vez, agora com a informação de que esta cena não estava gravada anteriormente, você pensa "esse dialogo faz sentido com o filme?"

    Eu faço essa pergunta pois, se você assiste ao Homem de Aço e ao Batman v Superman - Edição Definitiva, você sente que o Snydercut é um filme que amarra varias pontas soltadas lá atrás nestes dois filmes, só para depois termos novas pontas serem soltas. E o fato de mencionar ao Coringa do Jared Leto, é só uma ponte para eu deixar aqui o meu questionamento sobre todo o epilogo do filme. 

    No fim, da mesma forma que o Snydercut existiu ali para o fã, a inclusão do Coringa do Jared Leto (com um visual diferente do visual do filme do Esquadrão Suicida) é um fan-service, tanto para o ator quanto para o sucesso que o filme Coringa do Joaquim Phoenix fez. E sim, isso chega a ser engraçado de dizer, já que adorei o anuncio do Snydercut e fiquei aguardando os segundos para o lançamento deste corte, mas, sou obrigado a torcer o braço em dizer que, isso talvez não precisasse.

    Novamente, digo que utilizo o Coringa do Jared Leto de ponte para comentar sobre o epilogo do filme; onde vou ser mais preciso e dizer das pontas, que haviam sido amarradas ao longo do filme, para serem soltas no final. Por que temos mais cenas do pesadelo do Batman? Por que temos a informação de que o Lex Luthor deu a real identidade do Batman para o Exterminador, sendo que nunca veremos a conclusão disso no filme do Ben Affleck do Batman? Por que o Caçador de Marte faz o chamado do herói para o Bruce, o alertado que há um mal pior vindo? E por que o Darkseid fala pro DeSaad que eles irão invadir a Terra atrás do Equação da Anti-Vida, sendo que nós estamos cientes de que nós nunca mais veremos nada do Snyderverso?


    O filme não se estraga por conta destas pontas. É visível que o filme quer terminar com aquele ar de esperança, principalmente por conta do retorno do Superman, mas, essas pontas soltas me deixam com um pulga atrás da orelha. E eu fico com essa pulga, pois, sinto que esse filme era a conclusão que eu queria para todo o universo que o Snyder criou com os outros dois filmes. Se caso eu quisesse ver mais da Liga trabalhando junto, leria as HQs das sagas dos Novos 52 e do Renascimento; se caso eu quisesse ver toda a guerra do Darkseid na Terra, veria as animações e, se caso eu quisesse ver o Superman ditador jogaria o próprio Injustice. 

    Mas o filme termina com essas pontas soltas. E essas pontas soltas me dão medo do que o estúdio é capaz de fazer. Para mim, o erro de Snydercut é não ter terminado (ou, amarrado todas as pontas soltas, de fato) neste filme. 

Nota: ★★★✩✩

A Liga da Justiça de Zack Snyder (Zack Snyder's Justice League - EUA, lançado no dia 18 de Março de 2021) é um filme com o elenco formado por Ben Affleck, Gal Gadot, Henry Cavill, Jason Momoa, Ezra Miller, Ray Fisher, Amy Adams, Jeremy Irons, Connie Nielsen, Ray Porter e Ciarán Hinds. Roteiro de Chris Terrio, trilha sonora do Junkie XL e direção de Zack Snyder. Sua duração final é de 242 minutos (ou quatro horas e dois minutos). 

sexta-feira, 19 de julho de 2019

A Vida não imita a Arte... ela É a Arte.

Texto escrito e editado por Pedro Terasso





Oi, sou eu de novo! Dessa vez vim espalhar a palavra sobre o meu filme favorito: Boyhood.

Começarei contando logo de cara a minha experiência pessoal, afinal é tudo que tenho pra oferecer. 

O ano é 2015, poucas semanas antes da páscoa. Nessa época eu não tinha o costume de sair durante dos finais de semana, mas adorava ficar acordado durante a madrugada, então sempre estava procurando coisas novas pra fazer na internet. Em uma dessas noites, enquanto eu rodava o catalogo do PopCorn Time, a capa de um filme me chamou a atenção.

Era uma capa simples, sem muitos detalhes, apenas um garotinho deitado na grama. Mas por algum motivo eu senti que deveria parar o que quer que eu estivesse fazendo pra assistir aquele filme.
Mas antes de começar a espalhar a palavra sobre o filme, eu preciso situar vocês, caso nunca tenham assistido.

Boyhood é um longa metragem lançado em 2014 que conta a história de vida do personagem Mason Evans Jr. (Ellar Coltrane) dos seus 6 aos 18 anos, dando ao público uma visão única sobre como se desenvolve uma vida. Diferente de tudo que vocês já viram.

O filme nasceu de uma ideia bem ambiciosa do diretor Richard Linklater, que era filmar um Slice of Life durante 12 anos. 

É isso mesmo, nada de troca de atores pra mostrar fases diferentes da história. Acompanhamos o crescimento de cada uma das crianças, acompanhando também o envelhecimento de cada um dos adultos. sentimos o tempo passar por nós enquanto o filme nos mostra referências incríveis de cada época, mesmo sendo essas muito sutis. 





Eu já assisti esse filme mais de 6 vezes durante esses 4 anos, sendo a ultima delas no fim de Dezembro de 2018, e todas as vezes um novo sentimento vem dessa obra. E nunca um sentimento negativo, é como se eu aprendesse um pouco mais sobre a vida a cada vez que eu assistisse e eu acho que vale a pena contar algumas delas aqui.

Em 2015, na primeira vez que vi, eu senti inveja de Mason, de como a vida dele era incrível, legal e de como ele estava cercado de pessoas sensacionais. Eu quis ser  Mason, sobreviver ao que ele sobreviveu, conquistar o que ele conquistou e acredito que isso foi algo que me pegou naquele ano. Boyhood era uma inspiração pra mim, era algo no qual eu poderia e deveria me espelhar.

Apos assistir algumas vezes, no ano de 2017 (eu não serei capaz de lembrar a data com exatidão), Boyhood me ajudou a passar por um momento de ira na minha vida, eu estava amaldiçoando a minha existência, e odiando como as coisas andavam ruins.
E esse filme me ajudou a lembrar que a vida é assim mesmo, que o seu caráter e o seu futuro são a combinação perfeita de cada momento da sua vida, seja ele bom ou ruim.  não importa o quão ruim se esteja, eventualmente irá melhorar.

Porém, em 2018/2019, durante a ultima vez que assisti esse filme, inesperadamente foi quando tive a melhor das experiências que a obra poderia me proporcionar. 
Assim que terminei de assistir,  notei que havia sido diferente das outras vezes, que dessa vez, eu não havia aprendido nada, que Boyhood não havia me tirado de nenhum buraco. Eu só estava feliz por ter acabado de ver meu filme favorito de novo.  O efeito nostalgia estava latente entrando em meu cérebro.

Isso me deixou ligeiramente chateado, pois senti como se parte da magia do filme estivesse lentamente desaparecendo. Porém, após 2 semanas, quando eu havia acabado de voltar de  viagem com alguns amigos, decidi tomar banho e enquanto ouvia música, e uma das músicas da trilha sonora de Boyhood (Hero –Family Of The Year, caso os leitores queiram sentir a vibe da musica) que começou a tocar da minha playlist e eu fui inundado por lembranças. Mas não lembranças do filme ou da vida do Mason, mas sim pelas minhas próprias. lembranças dessa viagem, lembranças de roles antigos, de amigos que eu perdi, dos amigos que ainda estavam ali, e  naquele momento o clique da ultima vez que eu havia assistido chegou. 

"Aquelas lembranças eram o meu aprendizado, elas estavam ali pra me mostrar que eu não precisava ser o Mason pra ter uma vida incrível, que eu não preciso me espelhar em ninguém pra ser alguém. Aquelas lembranças eram a minha vida incrível. Aqueles momentos eram o meu “Boyhood”. "


No fim das contas Boyhood é sobre isso. Não é um filme que vai te prender na cadeira com um mistério que te causa comichões até ser descoberto, ele não é um filme com cenas de ação que vão te tirar o fôlego.
Ele é um filme que vai te mostrar a vida como ela é, te fazer lembrar que o mundo é um lugar difícil, mas muito bom também, e que cada pessoa que passa pela nossa vida tem alguma coisa para nos mostrar, seja isso bom ou ruim.

Com certeza você vai se identificar com Mason em algum momento do filme. Pode ser que seja em algum dos tantos perrengues que o menino encara durante a vida, porém, pode ser que seja em algum dos momentos de glória também. Seja um ou outro, a vida é assim mesmo.

Digo com tranquilidade que a melhor decisão do meu ano de 2015 foi assistir esse filme. Espero que você, leitor, dê uma chance a ele.
Pode ser que você não goste mesmo, afinal, muita gente por aí que prefere filmes que as tirem-os de suas realidades, o que não tem nada de errado.
Se você for ao menos um pouquinho como eu, irá também descobrir um filme incrível, que irá te proporcionar felicidade apenas por estar vivo.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Demônio de Neon e como contar uma História

Texto escrito por Cinthia Campos




Recentemente em uma noite de insônia, sem ter o que fazer, resolvi assistir um filme que me fora recomendado há muito tempo - Demônio de Neon (Neon Demon, 2016); do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn (Drive, Só Deus Perdoa). 

Escolhi este dentre vários outros da minha lista por um único motivo: MEUS AMIGOS DIZIAM SER GENIAL!, então decidi confiar e assistir ao filme e pasmem, eu não achei nada demais. Porque todos diziam que é incrível, bem construído e lindo. Bom, lindo ele é, esteticamente falando é uma obra de arte, cores vibrantes e chamativas, belos cenários e, é claro, belas atrizes (e sim, aqui isso é importante) porém é só isso, é apenas um filme lindo. Ao terminar ao filme fui reclamar com meu namorado “Amigo eu não entendi muito bem. É só isso? Eu não achei nada demais, é só um filme bonito”

Foi quando meu deu um estalo na cabeça “É ISTO ENTÃO” é aí que está a genialidade do filme, o trabalho dele é ser apenas bonito, raso e incrivelmente bonito, pois se trata de pessoas rasas e bonitas (eu me senti o próprio Albert Einstein ao pegar o raciocino após uma pequena reflexão). O diretor consegue contar com maestria sua história, não utilizando o filme para contar uma história e sim usando o próprio filme como PARTE da história. Isso não faz muito sentido? Ok, tentarei explicar



O filme começa com a jovem Jesse (Elle Fanning) de apenas 16 anos chegando em LA com o sonho de ser modelo, porém isto não será tão fácil como ela imaginara. Por possuir uma beleza natural se vê ao redor de mentiras, inveja e traições. Jesse iria descobrir o quão difícil e cruel é o mundo da moda e isso está em qualquer sinopse por aí. Minha intenção aqui não é dizer o quanto a história é superficial, o cliché da jovem menina inocente que foge de casa rumo a cidade grande para viver seu sonho de ser modelo que todo mundo já viu como termina, não, minha intenção é dizer o quanto o filme como ferramenta contribui para a afirmação dita em certo momento do filme “beleza não é tudo; beleza é a única coisa que importa”.


E realmente, aqui beleza é a única coisa que importa. Nesse momento do filme Dean (Karl Glusman), que servia como par romântico de Jesse, discorda dizendo que beleza não importa, que a verdadeira beleza está no interior e tudo mais. Porém, o mesmo é questionado se ele teria parado para conhecer Jesse se ela não fosse bonita. Dean fica sem resposta.

Assim como as garotas da história, o filme em si não passa de uma casca bonita e ainda assim ele consegue te prender por quase duas horas, ele se torna um dos elementos da narrativa para provar o ponto passado, de que em mundo onde apenas beleza importa você deu seu tempo e atenção para um filme vazio quando poderia ter procurado um pouco mais por um filme mais profundo porém sem tanta fama.

"O trabalho do filme é ser apenas bonito, raso e incrivelmente bonito, pois se trata de pessoas rasas e bonitas"
Não estou dizendo que não há filmes esteticamente belos e profundos, ao mesmo tempo que existem pessoas bonitas e profundas, porém, você provavelmente foi fisgado primeiro pela beleza para depois parar e conhecer os interiores. Neste quesito Demônio de Neon serve como uma ótima autocrítica de como olhamos apenas o belo para só depois buscarmos algo além e quando não achamos colocamos a culpa na isca, e não em nós que fomos atraídos por ela. Por isso digo que Refn consegue com maestria passar a mensagem do longa, fazendo que o devoremos.