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sexta-feira, 25 de junho de 2021

O que faz de um núcleo familiar, uma família?

Texto escrito por Pedro Terasso


        Olá a todos, faz um tempo desde que eu escrevi sobre alguma coisa familiar não é? (Mentira, só tem um texto meu que não seja sobre isso), mas de qualquer forma lá vamos nós de novo.

        Hoje eu venho até vocês para falar sobre This Is Us, pra ser sincero apenas sobre a primeira temporada, mas porque eu ainda estou na metade da segunda.

        Eu pretendo falar de alguns spoilers nesse texto, porque pra mim ele vai ser um pouco além de só uma recomendação para vocês, eu realmente quero falar sobre toda a devoção que eu criei por cada personagem (SEM EXCEÇÃO) dessa série.

        This Is Us é uma série da CBS e atualmente está disponível no serviço de streaming da Amazon, o Prime Video (se você não conhece o Prime Video, clique aqui para você ir direto a pagina da serie) 

        A série tem seu núcleo formado por trigêmeos, Kevin, Kate e Randall e tem como trama principal o dia a dia de três irmãos que carregam inúmeros problemas do passado, por diversos motivos, que vão desde falhas na criação quando crianças até traumas pesados envolvendo bodyshaming, racismo e outras problemáticas. É importante também mencionar aqui que o Randall é adotado pelos pais, após a morte de um dos trigêmeos (Kyle) ainda no parto.

        O show começa te vendendo uma ideia de algo pesado, focado só na exploração daqueles problemas e de forma morna, mas em mais ou menos 3 episódios ele se revela um grande palco a fim de te mostrar com o que e como se faz uma família de verdade.

        A série passa por muitas variações de tempo, apresentando muitas cenas do passado em meio às do presente, fazendo assim com que os trigêmeos tenham até agora, 3 atores para cada um e eu posso afirmar que todos os 9 cumprem com seu papel muito bem.

        Porém isso também me dá abertura para falar de outros personagens, que não compõem o trio protagonista mas ainda assim estão diretamente envolvidos no núcleo principal, e eles são o Jack e a Rebecca. Inclusive, quero deixar registrado meus mais sinceros parabéns para a atriz Mandy Moore, diferente dos gêmeos a personagem Rebecca não muda de atriz enquanto atua nos 3 tempos em que a série se passa e Rebecca foi uma personagem que mudou muito com o passar dos anos, de uma jovem sem projetos familiares, para uma mãe de primeira viagem levando logo 3 de uma vez e por fim uma senhora com muita vivência e preocupações de corrigir os erros do passado. Mandy Moore fez um trabalho excepcional, é um show indescritível de atuação.

        O ator que faz o pai das crianças, o Jack, também não deixa a desejar em nenhum momento, infelizmente por conta da sua morte, não temos três versões do mesmo personagem, “só” duas, mas Milo Ventimiglia entrega um trabalho incrível em ambas linhas do tempo.

        Jack Pearson acaba se tornando um maior mistério da série durante a primeira temporada, o personagem que se mostra o pai e marido (quase) perfeito, é revelado como falecido já no quarto ou quinto episódio e a partir daí você começa notar como cada um dos filhos e a viúva Rebecca, evitam ou fogem do assunto quando o homem é mencionado e desde esse ponto, sua maior obsessão é saber como e principalmente porque isso aconteceu, afinal como eu tinha dito, a série literalmente te entrega o maior homem do mundo.

        Fora desse círculo principal, temos alguns personagens secundários que com certeza valem a pena serem citados, afinal eles se tornam muito rapidamente parte da alma da série, conquistando um milhão de corações mesmo não tendo o foco centrado neles e eles são: Beth, William e Tobey.

        Os dois primeiros podem ser citados juntos, por comporem o mesmo núcleo e serem constantemente vistos juntos, mostrando uma relação de amizade muito sólida e bonita de se ver.

        Beth é a esposa de Randall, o casamento deles se mostra muito sólido e com o passar dos episódios a série começa mostrar quem ela é além da esposa brava e séria ocupando a posição de personagem secundário e leva pouquíssimo tempo para que você se apegue fortemente a ela. Só para termos de opinião pessoal, eu afirmo que a Beth é minha personagem secundária favorita e até arrisco dizer que ela seja minha personagem favorita no geral. (Desculpa Jack, te amo, mas eu acredito na supremacia da Beth.)

        Já o William é apresentado logo no primeiro episódio como o pai biológico do Randall, depois que o homem decide pagar alguém para descobrir sua origem. No começo William se mostra um personagem deixado bastante de lado, com pouco foco em cima dele, mas depois da revelação do câncer em estágio avançado em seu estômago, a série começa a trabalhar na construção do personagem, começando pela relação dele com Randall, depois com Beth e depois explorando a vida do personagem sozinho, mostrando flashbacks do seu passado, desde o abandono de Randall até o dia em que o filho aos 36 anos de idade bateu à sua porta. William é um personagem magníficamente bem construído, com certeza um dos xodós do público da série.

        O último personagem que eu vou destacar é o Tobey. Ele pertence ao núcleo da Kate, faz sua primeira aparição também no primeiro episódio, começando como um alívio cômico de mau gosto. Pouco tempo depois ele e Kate acabam começando um relacionamento e é a partir daí que Tobey mostra ao que veio. Ele ainda mantém um bom humor e alívio cômico, mas vai se revelando um namorado excepcional para Kate e um personagem também muito complexo, certamente mais complexo do que qualquer outro secundário que eu tenha visto em outra série.

        Eu não vou me prolongar mais porque isso me faria dar mais spoilers do que eu gostaria de dar, inclusive essa é a razão pela qual eu não floreei muito pelos personagens principais, mas saibam que eles são tão bons quanto os secundários que eu citei e certamente vale a pena.

        This Is Us vem sendo muito bem aceita pelo público e está agora com a sua última temporada ainda recém lançada. Eu recomendo 100% essa série para qualquer pessoa e 110% para aqueles que assim como eu gostam do gênero.

        Eu espero que esse texto tenha tido um efeito positivo em cima de você, que o leu até aqui e espero que você esteja agora interessado em dar uma chance para essa gracinha de série chamada This Is Us.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Temos mais espaço para zumbis na cultura pop?

 Escrito por Bruno Boldrin

        Na semana de lançamento de Army of the Dead, filme dirigido por Zack Snyder (Liga da Justiça e 300), a Netflix liberou o trailer de Resident Evil: Infinite Darkness, a série animada em CGI foi anunciada em agosto de 2020, na época a Netflix havia anunciado que tinha planos para um reboot dos filmes em live-action chamado de “Welcome to Raccoon City”, adaptando os primeiros 2 jogos da franquia, e uma série em CGI, que nesta semana revelou seu lançamento, programado para 8 de julho de 2021 e contam com Leon Kennedy e Claire Redfield como protagonistas até o momento.

        A questão é, será que ainda existe espaço para essa formula?


        Não é de hoje, que os vínculos de entretenimento vêm ganhando rios de dinheiros com os monstrengos. São livros, filmes, séries, jogos, card games, fantasias, eventos inteiros como parques temáticos, totalmente voltados para o assunto. A formula quase certa de dinheiro, mas nem tanto de sucesso deu uma respirada nos últimos anos, mas ainda sim parece que ainda é difícil se destacar quando o assunto é trazer os mortos de volta. (piadoca logo no começo pra vocês)

        A indústria pop sempre teve tendências em seus meios, se um filme tiver um destaque por se destacar em algo, normalmente esse assunto ou plot será usado até serem esgotados. Ultimamente tivemos o exemplo do plot de “desconstrução de heróis”, não é algo totalmente novo, algumas revistas em quadrinhos trabalhavam roteiros dessa maneira a bastante tempo, mas com a chegada de The Boys em julho de 2019, criou uma tendência de outros vínculos em quererem explorar o conceito, com isso recebemos outras adaptações ou novas criações do mesmo assunto, o que podemos dizer que não é ruim.

        Invencível; O Legado de Júpiter; Power, todas elas apesar de estarem tratando da “desconstrução de heróis” elas estão explorando universos e histórias diferentes, apesar de parecidas elas são totalmente diferentes. A questão é que esse tema é consideravelmente novo, com muita coisa histórias e assuntos para serem tratados e abordados ainda... Agora quando falamos de zumbis, estamos falando de um tema que vem sendo utilizado pela indústria a décadas, e ultimamente os filmes mais especificamente, não vem conseguindo seu um destaque a tempos.

        A última atração que caiu na graça do público foi o lançamento de “The Walking Dead” lá em 2010, fazendo com que a outros vínculos fizessem de tudo para entrarem no meio do trem do hype, com isso até mesmo a indústria de vídeo games nos próximos anos foi saturada com inúmeros conteúdos de zumbis que muitas vezes eram produções meia boca, que tentavam ganhar seu espaço. A questão é que The Walking Dead não criou o gênero de zumbis, e nem foi o primeiro a adaptar algo no tema. No fim, o que fez com que o público voltasse ao com todo alvoroço atrás do tema de novo?

        O que deu o destaque a The Walking Dead não foi o gênero em si, mas como ele é abordado. Em 2002, “Resident Evil e o hospede maldito”, chegava aos cinemas. E trouxe um calor para um público jovem da época que muitas vezes não conheciam os jogos, e que estavam carentes do gênero.

        Os filmes de Resident Evil, não eram boas adaptações dos jogos, não eram bons filmes independentes por si só... Com um roteiro fraco, cheio de furos e interpretações dignas de um lanche e um refrigerante como pagamento, como o filme conseguiu ganhar tanto público na época? 

        A questão foi que Resident Evil, trouxe de volta aos cinemas um gênero que estava “no freezer” a um bom tempo, sem ideias para ganhar seu espaço. Além de tudo o filme tomou do cálice de outras franquias que estavam ganhando seus destaques. As cenas de ação contavam com um toque de “Matrix”, além de carregar o nome de “Resident Evil” que na época já era um nome de referência nos vídeos games, porém sem força em outras mídias.

        Com o tempo, tanto a franquia de jogos quanto a de filmes, acabou se desgastando, mas continuaram lançando seus produtos. Nos filmes, com o tempo além de Matrix, os longas tentaram (sem sucesso) beber das fontes de Anjos da Noite, os fãs que cresceram acabaram deixando a franquia de lado e percebendo que o gore e as cenas de ação do filme só eram boas nas memórias. E acabou que chegou a hora de se reinventar de alguma maneira.

        Em janeiro de 2005, a Capcom, entendeu que depois de inúmeros jogos da franquia, não só o roteiro e o gênero, mas as ferramentas do jogo em si estavam ficando datadas, e repetitivas. Ganhar os fãs em 1996 era bem mais simples, sem nenhum outro título de peso para que os fãs pudessem comparar, acabou que o jogo ganha seu espaço e dita as regras do gênero como pioneiro, agora quase 10 anos depois, a Capcom apostava em novas ferramentas e novas abordagens para a franquia.

        Finalmente abandonando o plot do C-Virus e todo a temática de zumbis de lado, o jogo explorava mais elementos de “horror shooter”,  apostando mais em um jogo de ação, a onde o jogador mais atirava do que resolvia os quebra-cabeças, porém ainda tentando manter um visual de “terror”, porem em uma abordagem diferente.

        O desenvolvimento do jogo foi tão diferente dos seus anteriores, que acabou dando à luz a franquia Devil May Cry, a questão foi que o jogo agora bebia muito da franquia dos filmes, porém ainda sim com um toque de animes, principalmente nas cutscenes. Leon agora era um protagonista muito mais badass do que o antigo Leon que foi mostrado anos atrás em Resident Evil 2.

        Apesar dos desvios entre os filmes e jogos, as animações independentes de Resident Evil, sempre traziam os zumbis e inimigos clássicos de volta. Porem apesar de tudo, nunca conseguiam seu espaço... Além dos roteiros bem genéricos, cenas de ações bem galhofas, algumas por serem extremamente exageradas, outras por sua coreografia horrorosa, as animações eram pra um público muito especifico, então já sabendo do histórico de conteúdo de Resident Evil, o que podemos esperar de Infinite Darkness? Agora com um desenvolvimento feito pela Netflix.

        A Netflix agora tem uma missão um tanto quanto complicada, muito mais dinheiro está envolvido na produção, e tendo em mente que o público que será atingido será muito maior, com isso vem muito mais as cobranças.

        Sendo uma “série animada” tudo dá a entender que teremos um enredo desenvolvido com mais calma, talvez com um toque e conspiração entre o governo e a Umbrella Corporation. Mas ainda assim, os fãs tem que ter em mente que Resident Evil é um produto de origem asiática, e não um produto do ocidente. As escolhas de cenas, coreografias, desenvolvimento e ritmo do roteiro de Resident Evil Infinite Darkness, com certeza, será mais próximo com o de um anime, do que um filme investigativo do Tom Clancy por exemplo. A questão é como o público, nas Américas e Europa irão receber o filme, e como a Netflix fara para conseguir seu destaque nesse meio.

domingo, 9 de maio de 2021

Foi horrível, Nota 10: The Promised Neverland

Texto escrito por Pedro Terasso


        Olá a todos, acho que essa é oficialmente a primeira vez que eu começo um texto sem dizer que vou falar da melhor coisa do mundo. The Promised Neverland não é o melhor anime do mundo, na minha opinião ele está até relativamente longe disso, mas ele com certeza é um dos destaques da nova geração e definitivamente merece ser citado aqui.

        O anime estreou sua primeira temporada em 2019 e foi logo de cara um sucesso de audiência, a história é extremamente cativante e pelo menos a primeira temporada foi quase que perfeitamente adaptada.

        Eu vou tentar pegar leve com os spoilers, mas já adianto que citarei alguns, principalmente pra falar do plot principal da série.



        A história é protagonizada por três personagens: Emma, Ray e Norman, que vivem em uma espécie de orfanato isolado do mundo, aguardando o esperado dia da adoção. Quase que por acidente, Emma e Norman acabam descobrindo que todas as crianças que vivem ali, incluindo eles mesmos, estão sendo criados como carne pra abate para alguns seres que se assemelham a demônios. Nenhuma criança tinha ficado na casa depois do seu aniversário de 12 anos, todas elas eram “adotadas” antes disso.

        E a partir desse momento Emma e Norman começam a traçar um plano de fuga daquele lugar, junto com todas as crianças. O plano que deveria ser secreto acaba sendo descoberto por Ray que se junta ao grupo apesar de ter opiniões divergentes as da Emma sobre o plano de fuga ideal

        Depois disso, é revelado ao público que o trio protagonista é composto por gênios e essa era a razão pela qual os três, aos 11 anos de idade, não tinham sido “adotados” ainda. Crianças inteligentes são apreciadas pelos demônios, então quando uma desse tipo aparece, ela deve ser maturada até o dia de seu décimo segundo aniversário e com base nessas informações e padrões das regras da casa, Emma, Ray e Norman começam a se organizar. Eu vou reter os detalhes do resto da história porque eu quero que você, leitor, dê uma chance ao anime. 



        The Promised Neverland é repleto de reviravoltas extremamente surpreendentes dentro dos 12 episódios. Eu te garanto que pelo menos um choque é recebido em cada um deles. Eu particularmente sou uma pessoa que tem o costume de assistir obras e animes que envolvam planos e personagens super inteligentes, então depois de anos vendo isso eu achei que tinha visto de tudo e nada mais me surpreenderia, mas eu estava errado. Esse anime derreteu minha cabeça muitas e muitas vezes, fez com que eu me sentisse burro, fez com que eu me colocasse no lugar daquelas crianças e tivesse a certeza de que eu não escaparia. Os meninos, Norman e Ray, te mostram visões completamente absurdas de planos e projetos que eles montam que são capazes de te deixar literalmente boquiaberto e a Emma apesar de ser mais emotiva e impulsiva não fica muito pra trás em termos de inteligência. Eles são o trio perfeito e é por isso que tudo flui tão bem com o plano deles.

        Eu não sou a pessoa que vai te contar se o plano funciona ou não, se eles conseguem a fuga ou quais deles conseguem a fuga, mas eu realmente recomendo que você assista. Ele é curtinho, eu mesmo vi em uma noite só (outro ótimo sinal de qualidade, já que eu posso garantir que eu não faço isso com um anime desde 2014), ele está com a primeira temporada completa disponível na Netflix e deve ficar lá por mais algum tempo, afinal mesmo dois anos depois do seu lançamento, The Promised Neverland ainda é retém um alto índice de audiência e relevância.

        Eu vou citar alguns pontos altos e baixos agora pra ajudar vocês a ponderarem se vão assistir ou não, apesar da minha clara recomendação acima.

        Os personagens são magníficos, além dos 3 principais outros 3 personagens acabam envolvidos diretamente com o plano inicial e apesar de não serem grandes masterminds como o trio protagonista, eles são igualmente cativantes.

        O anime é extremamente misterioso, literalmente todo episódio termina com aquele gosto de: “Meu Deus, eu preciso saber o desfecho disso”. E mesmo depois do final da primeira temporada, você termina com esse gosto.

        As reviravoltas são impressionantes. Eu já falei disso lá em cima mas eu vou tornar a repetir, chega a ser um absurdo o desenrolar dos planos e dos contra planos da “Mama” (Adulta responsável pela fazenda de abate onde vivem os protagonistas). Tudo parece um grande tabuleiro de xadrez, mas com peças humanas e uma carga emocional capaz de derrubar qualquer um.




        E por falar em carga emocional, isso esse anime entende. Não espere lutas, poderes ou qualquer coisa desse tipo pois não tem. O anime foca muito mais na questão emocional e mental do processo todo e faz isso com uma maestria que eu vi em poucos outros animes como HunterXHunter. Tem um episódio em específico que me obrigou a fazer uma pausa de quase 30 minutos depois de assistir, porque eu simplesmente não conseguia parar de chorar. Fazia muito tempo que eu não me emocionava assim com um anime.

        Já nos pontos negativos: Tudo é muito lúdico, é difícil acreditar que aquele cenário seja possível de alguma maneira. Claro que a ideia do anime é realmente mostrar cenários distópicos e longe da realidade. Mas até quando você tenta fazer alguma analogia ou metáfora, fica difícil de se localizar.

        A maior qualidade dos personagens acaba se tornando o maior defeito. Não é exatamente um problema pra mim que uma história de ficção fuja completamente da realidade, mas pra quem gosta de algumas pitadas de realidade, o problema acima e esse aqui vão ser um tanto complicados. É difícil acreditar que 3 crianças com 11 anos bolam planos tão mirabolantes de perfeitos quanto os que eles fazem. Com 11 anos eu corria na rua com pedaços de pau brincando de espada com meus amigos.

        A falta de respostas fixas também se torna um problema no final. Provavelmente com a intenção de instigar as pessoas a buscarem pela segunda temporada ou lerem o mangá, o anime acaba retendo alguns desfechos e isso não seria um problema se a segunda temporada não fosse um fiasco completo, eu vou entrar em detalhes sobre isso logo abaixo mas só pra concluir esse ponto: Faltam fechamentos de ciclos nessa primeira temporada e isso é um tanto incômodo, ainda mais pra gente como eu, que não se deu ao trabalho de ver a segunda. 

        A segunda temporada, em si, sofreu bastante hate do público que aguardava ansiosamente por ela depois da primeira ter sido espetacular. As maiores críticas envolvem a falta de adaptação de alguns momentos importantes e o tempo de história. A primeira temporada adaptou 37 capítulos do mangá em 12 episódios, enquanto a segunda adaptou os 144 capítulos restantes em 11 episódios e isso resultou em uma história corrida, mal contada e mal resolvida. Ocasionando bastante ira nos amantes da saga e com razão.

E com base em tudo isso, quais são minhas conclusões finais? Eu recomendo com todas as letras a primeira temporada, vale muito a pena assistir, é uma experiência pesada e exaustiva e você vai sair de lá completamente descrente e acabado, mas com certeza uma nota 10 deve ser atribuída. Quanto a curiosidade de saber os desfechos? Faça como recomendam, ignore a temporada dois e leia o mangá.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Falcão e Soldado Invernal - critica com spoilers

 Uma critica escrita por Bruno Boldrin

        "Falcão e Soldado Invernal" é dirigido por Kari Skogland (diretora de The Handmaid’s Tale), o primeiro episódio “New World Order”, lançado em 19 de março de 2021, e se apresenta cerca de 6 meses após Vingadores ultimato. Os protagonistas são Sam (falcão) e Bucky (soldado invernal), tendo que lidar com os problemas deixados pelo blip. 

Sam e Bucky estão separados e “cuidando” de suas vidas após o final de vingadores ultimato. Sam logo no primeiro episódio abre mão do escudo dado por Steve ao museu do capitão américa em uma cerimônia, e fala a Rhodes (máquina de guerra) que o mundo esteve 70 anos sem um capitão américa e ficaram bem assim. 


O seriado conta com um total de 6 episódios, e duram entre 40 a 50 minutos e contam com uma dinâmica diferente de WandaVision. "Falcão e Soldado Invernal" aposta na formula Marvel de sempre, mais parecida com a dinâmica de "Capitão América: O Soldado Invernal" (2014), a série em si funciona como um “filmão”, apesar de ter sim, os episódios com “começo, meio e fim”, o seriado em si se trata sempre de um desenvolvimento de um único problema que é estendido até o fim, e ao contrário de WandaVision, onde tínhamos a perspectiva que deixava dúvidas, e não entendíamos direito o que acontecia, em Falcão e soldado invernal, não faz questão nenhuma de esconder os objetivos dos personagens, principalmente de Karli, líder dos Flag Smashers. 


O formato da narrativa do seriado foca na investigação de Sam e Bucky para entender os Flag Smashers e sua causa, e sempre abre oportunidade para alguma cena de ação, apesar de tudo, o seriado conta com bem menos ação do que eu achei que teria. 


Apesar de tudo, o seriado desenvolve e muito bem o drama de personagens e como o manto do Capitão América é visto por todos e isso é a melhor coisa do seriado. 



Sam logo no primeiro episódio mostra a insegurança sobre assumir o manto de Capitão América, todos os personagens tem pendencias a resolverem sobre si mesmos, e sobre o que acreditam defender. 


Steve quando foi encontrado e descongelado, o “drama” do Steve era que estava fora de sua época, não tinha mais os amigos, não conhecia mais o mundo, e pior de tudo, questionou seus princípios. Quando foi lutar contra nazistas as coisas eram mais simples, era tudo 8 ou 80, as pessoas boas lutavam contra um inimigo a onde as causas não eram nem ao menos aceitáveis, eram pessoas ruins querendo poder e nada além disso. Quando ele se encontra no séc. XXI, os princípios que defendia ainda eram os mesmos, mas as pessoas das quais ele devia defender não. O principal motivo de brigas principalmente entre ele e o Stark e até mesmo com Nick Fury nesses anos foi justamente a criação de armas e a “tentativa de para uma guerra antes delas acontecerem”, tentando justificar a criação de armas, e superarmas para manter o povo seguro. 


Outras intrigas pessoas desenvolveram bem Steve ao longo dos anos do MCU, em “Vingadores: A Era de Ultron” (2015), Ultron chega a dizer a Steve que ele era um “homem santificado”, pela forma da qual agia, e que “fingia que poderia viver sem uma guerra”, e a verdade é que Steve não sabia o que era viver sem uma. Ele foi criado para lutar na segunda guerra, e seus planos para quando ela acabasse que seria viver com Peggy, já não eram mais possíveis, não tinha mais uma casa pra ir, amigos para visitar, não tinha um “plano” para quando as cosias acabassem, apenas seus ideais. 


Sam e Bucky ao final de Ultimato se viram em situações parecidas. Após Civil War, Steve diz a Stark que depositava sua fé em pessoas, indivíduos. A razão por não aceitar o tratado de Sokovia, era que isso iria tirar o direito de escolha deles, e o governo não poderia fazer essas escolhas por eles. Sam e Bucky, e vários outros personagens apesar de serem pessoas boas, não estavam seguros de si mesmos para tomarem algumas decisões, muitas vezes estavam apoiando Steve, por saberem pelos ideais que defendia. 


Próprio Sam chega a dizer para Steve que talvez Bucky não tenha mais volta, mas mesmo assim iria apoiá-lo. Bucky apesar de ter tido seu perdão, e se livrado do controle do soldado invernal, não estava bem com o que tinha feito nos anos como soldado invernal. Bucky não está assim com o Steve está fora de sua época, sem amigos e pior de tudo sem os princípios dos quais Steve lutava, além de perdido com no seu tempo, está perdido de si mesmo. 


O “blip” causado por Thanos é explorado de várias formas durante o seriado, Sam por ter ficado 5 anos desaparecido, lida com os problemas financeiros de sua família, mostra como o “blip” fez com que várias pessoas precisassem do dia pra noite de empréstimos e vários problemas que aconteceram por conta do retorno das pessoas. 


Os Flag Smashers mostram o como depois do retorno das pessoas, por outro lado foi algo ruim, por mais estranho que isso possa parecer. Durante os 5 anos as pessoas ficaram próximas, e depois disso, essas pessoas que receberam atenção e ajuda para melhorarem suas vidas foram obrigadas a saírem de onde estavam e não receberam quase nada para voltarem ou se prepararem. 


Os pontos altos do seriado, além do desenvolvimento dos personagens, são como o manto de capitão américa é visto por diferentes pessoas. Encontramos Isaiah Bradley, um super soldado negro que a anos existe nos quadrinhos, e a maioria das pessoas nem ao menos sabia de sua existência. 


Isaiah Bradley assim conta que em um ponto fez exatamente o que Steve fez durante a segunda guerra, ignorar ordem de superiores para salvar seus amigos do exército que estavam sendo “abandonados”, a diferença, é que por tomar essa decisão de ignorar as ordens de superiores, Isaiah foi preso por 30 anos, e teve de forjar sua morte para poder “seguir” com a vida. E quando fala sobre o manto de capitão américa, ele não vê como Sam e Bucky por exemplo, que quando vem o traje pensam no amigo e nos ideais que ele defendia. Isaiah, nunca conheceu Steve Rogers, então sua percepção de “Capitão América” não se passava de uma mentira que os EUA vendiam para o mundo. Todo o idealismo e princípios que Steve defendia eram uma mentira de um governo que o prendeu e usou como teste para desenvolver outro super-soro. 


Ao mesmo tempo temos John Walker. Walker é o soldado que o governo escolheu para assumir o manto de Capitão América, e isso deixa Sam e principalmente Bucky irritados. Basicamente Walker é um idiota. Walker tem problemas com raiva, e é um cabeça quente, além de tudo inseguro. 



You don’t win a war with courageyou win with guts”. Essa era a frase que o general usou para dizer a Erskin que Steve era a pessoa errada para se tornar Capitão América. John Walker também nunca conheceu Steve, e quando foi colocado no posto, acreditava que isso era o que fazia Steve ser o que era, ter “coragem”, e ser um soldado. E essa era a principal diferença entre Walker e Rogers. Steve era quem era pois tinha um coração bom, sempre acreditava em seus ideais e como isso era necessário, não só pra si mesmo, mas para as outras pessoas que o acompanhava. 


Walker queria fazer algo bom como capitão américa, queria fazer a diferença, o problema de tudo isso era que no fim das contas ele era um soldado, um bom soldado, e não um herói. 


Walker mesmo diz que, as medalhas que ganhou no Afeganistão estavam longe de serem certas. E que se tornar Capitão América poderia ser a chance de ele concertar tudo isso. Acontece que ao contrário de Steve, Walker além de impulsivo, não confiava nas pessoas, não entendia o lado das pessoas, principalmente com os Flag Smashers, ele não tinha a compaixão e nem a empatia que Steve tinha pelas pessoas. Walker via os Flag Smashers como vilões e nada mais. 


KarliZemo, e principalmente Isaiah, mostraram pra Sam todo o peso do manto de capitão américa, e isso a balança. Sam se pergunta em como as coisas podem ter dado errado, em quais consequências ele usar o uniforme de capitão américa isso pode trazer. Tanto pra si mesmo como para as pessoas que ele nem ao menos conhece. 

  

"Precisamos de novos heróis, condizentes com a época em que estamos. Símbolos não são nada sem as pessoas que dão a eles significado. E essa coisa, não sei se já existiu um símbolo maior, mas tem mais a ver com o homem que o erguia, e ele se foi." 

 

Sam não só admirava o que Rogers tinha feito, não admirava ele como um símbolo, admirava ele acima de tudo como um amigo. Assim como Ultron disse sobre Capitão “o homem santificado”, Steve não era outra pessoa quando colocava o manto, e abandonava os ideais dele quando o tirava. Esse era um dos medos do Sam, via o Steve como uma pessoa boa, um amigo, mas também como um líder nato, uma pessoa capaz de inspirar os outros e que os outros iriam segui-lo, isso ele questiona sobre si mesmo e como as pessoas vão reagir com ele sendo um capitão américa. 


O desenvolvimento de Sam, Bucky, Karlin e até mesmo Zemo, tem um peso enorme ao redor do manto de Capitão América, e como eles interpretavam isso. 


Sam não só assume o manto apesar de saber dos motivos, ele passa a entender uma pessoa como ele no posto de capitão américa, alguém que tenha empatia, calma e um coração bom. 



A série apesar de tudo teve tropeços com Madripoor e o desenvolvimento de Sheron, o sentimento foi como o de uma montanha russa onde você sobre bem alto prepara as mãos pra se surpreender e o brinquedo trava lá em cima, e você vai embora sem sentir o frio na barriga. O episódio 03 em especifico, contem falhas de continuidades, apresenta Madripoor como uma cidade ao estilo “John Wick” com próprias leis e jogada ao mundo do crime “gourmet”, porem tudo de maneira rasa. Mas a série faz o seu papel e faz bem. 


Falcão e Soldado Invernal é uma série incrível, e que junto com Sam aponta o dedo na cara da hipocrisia de governos, abrange questões como racismo, xenofobia e o problema em questão da imigração que ocorre em muitos países, principalmente nos EUA.  


NOTA: 

COMENTARIOS FINAIS: Vou deixar um adendo, pois vi muitas pessoas criticando o seriado em si, e até mesmo Sam por “assumir” o manto de Capitão América: Eu entendo as pessoas terem rancor ou algo assim por conta da forma em que os EUA se vendem para o mundo a fora, porém o seriado se trata justamente disso, sobre a hipocrisia dos EUA de se venderem como alguém como Steve Rogers, mas não serem nem perto disso. O mundo está cheio de gente de coração bom querendo fazer coisas boas, mas precisam de exemplos pra isso, e bondade pode facilmente ser manipulada. Sam assumindo o manto pode dar exemplo até mesmo pra pessoas no mundo em que nós vivemos. 

Pode parecer bobo, mas afinal de tudo é de pessoas que tomem iniciativa para ajudar e mostrar bons exemplos para as pessoas que precisamos. As vezes por não tomar essa iniciativa, alguém vai, e muitas vezes pode ser alguém que pode usufruir dessa boa vontade, talvez se mais pessoas tivessem tomado iniciativa, talvez nosso país não tivesse 380 mil mortes, onde as pessoas tem que escolher passar fome ou morrer pra um vírus, e tendo um governo que não assume essa culpa e joga a briga entre os dois grupos. 



Falcão e o Soldado Invernal (The Falcon and The Winter Soldier, EUA, lançado mundialmente através da Disney+) é uma serie com o elenco formado por Anthony Mackie, Sebastian Stan, Erin Kellyman, Wyatt Russell, Daniel Bruhl e Emily VanCamp. Serie criada pelo Malcolm Spellman, com trilha sonora composta pelo Henry Jackman e direção de Kari Skogland. São 6 episodios com duração total de 319 minutos (ou cinco horas e dezenove minutos)