sexta-feira, 16 de abril de 2021

Crônicas de Arthur em sua melhor forma

Uma critica escrita por Bruno Boldrin


    Arthur, Excalibur, Merlin, Lancelot, todo mundo pelo menos uma vez, já viu alguma adaptação das histórias. Uma das crônicas mais antigas e influentes na cultura pop e literatura pelo mundo inteiro. Com várias adaptações, narrativas e versões diferentes. Arthur foi também alvo de dúvidas sobre o que poderia ser duvidoso. Sobre o que de fato aconteceu na história, e o que são contos.

    Bom... (in)felizmente estamos aqui para falar de “Crônicas de Arthur”, uma saga de 3 livros, escritas por Bernard Cornwell, muito conhecido por “Crônicas Saxônicas” e “A busca do Graal”.

    Talvez uma das coisas mais difíceis de se fazer, em relação a livros, filmes ou qualquer obra, que já tenha sido contada e recontada. É encontrar seu caminho para se manter original, único e ainda surpreender o leitor com a história. Bernard Cornwell fez isso com tanta maestria que facilmente eu aponto como a melhor adaptação para as histórias de Arthur.

    As historias de Arthur, sempre foram rodeadas por magias, histórias mirabolantes, traições, armaduras brilhantes, os contos sempre tratavam Arthur e toda a Távola Redonda como a "
Liga da Justiça" dos cavaleiros e Arthur como o seu Superman, de certa forma. Todos lutavam por justiça e grandezas, isso em geral teve alguma alteração, algumas drasticas e outras sutis, mas no fim... Qual era a proposta de Cornwell com sua representação de Arthur?


    Cornwell, apostou em uma dinâmica um tanto quanto diferente com seus livros. Oque Cornwell fez foi tentar trazer o máximo de realismo possível dentro dos livros, e usar elementos para flertar com conceito de magia, deuses e tudo mais.

    A história é narrada por Derfel Gadarn, um dos cavaleiros de Arthur, que cresceu o vendo como um exemplo, viu sua gloria e queda durante as décadas, e adotado de Merlin quando criança.

    E falando em Merlin esse é um dos melhores pontos dos livros, se perguntam como introduzir Merlin a um mundo desses, se por ser realista logo a magia não existe?

    A questão é que nunca vemos de fato Merlin fazendo magia, sempre temos uma perspectiva primeiro de que nos dá a acreditar que o que aconteceu é um feito de Merlin, e depois ele te entrega alguns pontos que explicam como as coisas ocorreram, e falando em realista, estamos tratando de uma época aonde muito do que se dizia ou ouvia era distorcido para o que melhor se encaixava na interpretação das pessoas, isso por religião, “magia”, e até mesmo ocorridos, por exemplo, a de como as histórias diziam que Arthur tinha tirado Excalibur de uma pedra, e como existia uma aura magica sobe ela, todos esses tipos de especulações e teorias, vindo de uma época onde as pessoas acreditavam que tudo que não tinha explicação era algo sobrenatural, como as igrejas e outros poderes faziam como forma de manipulação ou as vezes pura estupidez.

    Durante o livro, Derfel explica que muito do que tinha sido escrito, contos e tudo mais eram muitas vezes potencializados para melhor ou pior dependendo do que o autor queria que ele ouvisse de Arthur, ele (Derfer) agora velho, está traduzindo os pergaminhos da história de Arthur para a língua dos Saxões, escondido para sua rainha, isso porque ele poderia ser penalizado, já que agora trabalhando para a igreja, Arthur era considerado um “inimigo de Deus”.


    Crônicas de Arthur encontra uma maneira sutil de juntas realidade com ficção, Arthur ainda é o “rei perfeito”, justo e honesto, porem mostra que nem tudo são glórias, muito pelo contrário. Cornwell narra com perfeição o calor de batalhas, o problema com as “armaduras de plumas e escamas brilhantes” que a história contava sobre Arthur. Mostra como os escudos brilhantes, não passavam de madeira que no fim das batalhas estavam na verdade sujo de sangue. Em como problemas políticos e intrigas religiosas podem destruir um povo ou a história inteira de uma pessoa por estar do outro lado de seus favores.

    Os personagens voltam praticamente todos, com suas características potencializadas. Lancelot, agora era irmão do bastardo Galahad. Em quanto tínhamos Galahad, fazendo o papel do cristão bem humorado, e que acima de tudo respeitava valores e suas amizades acima de tudo. Tínhamos Lancelot, que ganhava títulos de batalha sem nem ao menos participar delas, mostrando como o fato de alguém vestir uma armadura bonita e ficar no fundo das batalhas, só se precisavam de alguns bardos para escreverem histórias de como Lancelot ganhava batalhas que na verdade foram lutadas por seus homens, sem nem ao menos descer de seu cavalo ao fundo da batalha.

    Cornwell encontrou uma maneira de espremer o pouquíssimo conteúdo histórico real que temos sobre Arthur, e teceu uma das melhores sagas da história sobre o personagem, em batalhas, desenvolvimento de personagens e muito mais.

    Com isso fica a recomendação dos livros incríveis de Cornwell.

Nota: ★★★

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Na Visão do Diretor

Escrito por Charles Oliveira

 Atenção: esse post não tem nenhum tipo de spoilers além dos vistos em trailers e imagens divulgadas antes do lançamento do filme. Se caso, você não assistiu ao filme e esta com medo de spoilers, saiba que as imagens utilizadas no texto são vindas de fontes promocionais e de screenshots dos trailers. 

Mas temos a nossa critica (com spoilers), publicada no blog e um episodio especial (também com alguns spoilers) no nosso podcast.




Na arte, o principal objetivo de um criador é transpor a sua visão para aquele feito. No cinema, muito disso é realizado por diretores de renome. Vemos muito disso em filmes como "O Poderoso Chefão", "Os Bons Companheiros", "Drive" e até mesmo em "Creed"; o que mais se destaca nesses filmes são as assinaturas de seus diretores. E isso, aconteceu em Liga da Justiça: A Versão de Zack Snyder (Zack Snyder's Justice League, 2021) e aconteceu com força.

Caso você, caro leitor, não saiba o que tenha acontecido irei resumir para você: a produção deste de filme foi deveras conturbada, principalmente por conta do relacionamento entre o diretor e a sua distribuidora. E essa "richa" vem desde o lançamento de O Homem de Aço (Man of Steel, 2013) que teve uma recepção morna por parte das criticas. Mesmo que isso tenha dado um gás para que a DC Comics, pudesse construir o seu multiverso para, futuramente, competir com os filmes da Marvel Studios; digamos que o estudio não estava esperando essa recepção morna por parte da critica, principalmente vindo de um filme dirigido por um diretor que já havia adaptado duas graphic-novels de sucesso para os cinemas (300 em 2007 e Watchmen em 2009).

Eis que então veio Batman vs Superman - A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016) e meu amigo, deu no que deu. Foi Ultimate Edition dali, "Save Martha" acolá, 29 milhões de historias da DC sendo adaptadas em uma coisa só e hate, atrás de hate. O filme tomou um 29% no Rotten Tomatoes, o que chegou a gerar um ódio por parte de um dos produtores contra o site. O que isso causou? Mais abalo no relacionamento Warner e Snyder. Resultado? Mais uma produção conturbada para o diretor que estava iniciando as filmagens de Liga da Justiça e... o resto é historia. 

E o fato de Zack ter saído meio que como vilão, por ter "abandonado o filme" (quer dizer, gente, se tratava da família dele e do fato de que a filha dele tinha tirado a sua própria vida) fez com que os fãs do diretor quisessem que o filme que o diretor havia escrito não fosse engavetado e fosse lançado do jeito que foi idealizado. Dai então surgiu o movimento "#ReleaseTheSnyderCut" que foi movimentado ferrenhamente pelos fãs junto de abaixo-assinados e até mesmo memes.


Principalmente nas Comic-Cons de San Diego, os fãs faziam banners para movimentar a hashtag.



No Twitter e no Vero, o diretor vivia dando screenshots do que ele havia idealizado para o filme e dando retweets dos atores do filme movimentando a hashtag.


Até mesmo, o showrunner da serie animada Harley Quinn (2019) aproveitou para incluir o movimento como uma piada (que, segundo o showrunner, foi levado na esportiva pelos fãs)


Então, eis que em maio de 2020, é anunciado que a visão do diretor iria ser exibida para os fãs, dando direto até de um orçamento para gravar cenas adicionais para o filme. O publico entrou em delírio, principalmente quando, em agosto de 2020 no DC FanDome, o primeiro trailer de SnyderCut (agora, um titulo oficializado pelo estúdio) foi lançado. E o principal detalhe notado foi a diferença drástica do "aspect ratio" do filme. 

Traduzindo, "aspect ratio" significa proporção da tela em relação a exibição da imagem bidimensional na tela. Traduzindo de novo, tem a ver com qual dimensão aquele filme será exibida para passar melhor a visão do diretor para o seu filme. E a proporção de tela bastante comum que vemos nos filmes atuais é a "widescreen" que nos proporciona as famosas faixas horizontais na tela. (Inclusive fica aqui a recomendação de um vídeo que explica de forma bem didática como funciona o aspect ratio em filmes).

No filme de Zack Snyder, foi optado o uso de uma proporção de tela muito similar a uma proporção mais quadrangular. 


Mesmo com muitos, que ficaram interessados no relançamento do filme, se perguntando "essa escolha de exibição não faria com que o filme perdesse mais detalhes nos cantos?", fãs no lançamento do primeiro teaser comentaram que aquela escolha deveria ser motivada pelo fato da cópia do filme que o diretor tinha era baseada numa exibição em IMAX (já que a proporção da tela de um IMAX é completamente diferente da proporção de uma tela de cinema comum).  

Porem, em uma entrevista para o Justice Con (um evento independente que ocorreu em 2020 via internet para celebrar esse lançamento), o próprio Zack Snyder veio explicar o por que desta proporção. 

"Quando gravei Batman v Superman, houveram diversas cenas em que gravamos com as câmeras em IMAX. E eu penso que o cinema é como uma grande feira de ciências, em que vivemos testando diversas coisas. Quando assisti ao Batman v Superman, eu me senti completamente obcecado pelo "aspecto quadradão". E com a maioria dos produtores, ficando obcecados por "mais widescreen, mais widescreen", eu senti que esse filme merecia algo mais diferente. Então, optei por fazer toda a filmagem em IMAX mas com a proporção travada em 4:3"

O diretor Zack Snyder aproveitou o painel para exemplificar, no papel, como o filme foi gravado originalmente e o que nós vimos com o lançamento dele em 2017. (Fonte da entrevista: canal Justice Con)

"Então quando a produção começou as filmagens, eu realmente estava apaixonado neste conceito principalmente que, pra mim, super-heróis tendem a ser figuras mais verticais fazendo sentido dentro desse conceito", finalizou o diretor. 

Lembra daquilo que falei no inicio do texto? Na arte, o principal objetivo de um criador é transpor a sua visão para aquele feito. É exatamente o que o diretor esta conseguindo fazer. Nessa entrevista é interessante a fala "estamos trabalhando para restaurar o filme na proporção original que ele foi feito" até brincando que os pequenos sneak peeks que ele lançou no Twitter, não eram cortados para serem exibidos em todas as redes sociais e sim, é o conceito original da fotografia do filme; o fato do filme ser quadradão é por conta da visão que o diretor teve para o filme.

Particularmente, fui uma das pessoas que achou maneiro a forma que o filme será exibido pois, principalmente nos últimos filmes do diretor Christopher Nolan, é bem comum você estar assistindo ao filme e a proporção da tela ficar mudando toda a hora (já que em planos fechados e internos, a maioria das vezes os seus filmes são gravados em widescreen e, ao cortar para planos externos e de ação, a proporção vai para o IMAX de uma hora para a outra). Para mim, é a recompensa perfeita para aqueles que movimentaram em peso o #ReleaseTheSnyderCut e receberam o estúdio dando total liberdade para o diretor original poder concluir a sua visão para aquele universo de heróis que ele havia criado com O Homem de Aço. 

Se puder, pode tocar “Hallelujah” na versão do Leonard Cohen.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

WandaVision ainda é a serie do milênio e eu vou te provar

Escrito por Pedro Terasso


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    WandaVision ainda é a serie do milênio e eu vou te provar

    E é verdade. Mesmo quase um mês depois do lançamento do último episódio eu ainda não superei e aposto todas as minhas fichas que a maioria das pessoas também não. 

    WandaVision foi a abertura da 4ª fase da Marvel no seu universo cinematográfico e na minha humilde opinião de fã, a melhor abertura possível. 

Não é de agora que a patroa, Wanda Maximoff carrega muita relevância e uma fã-base que pode ser comparada a alguns dos Vingadores mais famosos do MCU, desde “Vingadores: Era de Ultron (2015)” A Feiticeira Escarlate Wanda vem conquistando a cada filme uma nova gama de fãs, muito por conta da sua popularidade já vinda das HQ’s, mas também por conta das suas inúmeras cenas lendárias, como a que ela para o ataque do Ultron sozinha após a morte do irmão, ou então quando ela segura Thanos (Potencializado por 5 das 6 joias do infinito) com uma mão, enquanto canaliza uma magia poderosa pra destruir a joia da mente no seu amado Visão. Não preciso nem lembrá-los do dia em que ela fez o Thanos pedir arrego né? Acredito que ainda esteja fresco na memória de todo mundo. 

    

    As séries da nova fase tem como objetivo primário mostrar como alguns dos Vingadores que ajudaram na queda de Thanos ficaram depois que tudo acabou e de quebra introduzir lentamente os Jovens Vingadores ao público. Mas a gente vai falar deles quando chegar a hora! 

    A primeira Ex-Vingadora a ter seu pós guerra explorado é Wanda e a série começa com uma pegada bem diferente, daquelas que se você não estiver totalmente de braços abertos a novas experiências, você vai achar horrível. 

    Nos dois primeiros episódios (Que por sinal saíram juntos), a série vende um sitcom dos anos 50 e 60 de forma muito esquisita. Nada daquilo é o que você espera ver da Marvel e apesar da sacada genial de lançar esses dois episódios “esquisitos” juntos, muita gente desistiu da série ali, a maioria voltou depois, mas ainda assim, desistiram. 

    Mas isso não é exatamente um problema quando você começa o 3° episódio e tudo começa a fazer sentido. Tudo aquilo antes era estranho pois se tratava de uma construção de realidade da Wanda e só a partir desse episódio esses pontos começam a ser apresentados pros espectadores. 

    Depois do começo morno a série melhora em uma sequência quase inexplicável, toda semana algo maravilhoso era mostrado ou até mesmo citado e eu posso afirmar com tranquilidade que o hype crescia em níveis estratosféricos a cada semana.  

 

    Nessa série nós temos todo um fã-service em volta da Wanda, mas temos também o retorno de personagens magníficos que tinham ficado um pouco do lado B da Marvel, com o Jimmy Woo, a Darcy Lewis e até mesmo o Visão que não teve exatamente seus melhores momentos nos filmes. Além disso temos a introdução de novos personagens que com certeza absoluta marcarão presença na nova fase, como a Fóton (que é a Monica Rambeau de Capitã Marvel, no seu mais novo mundo de super heroína), a famigerada Agatha Harkness e os mais novos queridinhos do mundo, meus filhos do coração: Tommy e Billy Maximoff. 

    Os gêmeos não foram exatamente uma surpresa pra ninguém, mas pelo menos pra mim, eles foram de longe o ponto mais alto da série. Essa aparição mostra claramente um legado sendo passado, Célere e Wicanno são membros fixos da equipe dos jovens vingadores e a série cria um cenário perfeito pra introdução deles, de forma sutil, mas ainda assim marcante. 

    Eu vou tentar segurar um pouco os spoilers diretos, não por que eu ache que alguém que vá ler isso não tenha visto, mas sim porque eu não quero vir aqui e ficar narrando todas as cenas pra vocês. 

    A série comete alguns pequenos erros durante seu percurso, mas nenhum deles tira o brilho da nota 10 que essa série merece, mas como somos justos, eu vou citá-los aqui. 

    A série tem só 9 episódios, o que não é um número ruim desde que você mantenha um ritmo constante pra chegar até o final desejado, e WandaVision acaba não conseguindo fazer isso com tanta maestria assim. 

    Primeiro, consideramos que o 1° e o 2° episódio não geram nenhum tipo de avanço pro plot principal e isso faz com que o tempo da série seja ainda mais reduzido, de 9 pra 7 episódios que devem contar o começo, meio e fim de uma trama sobre o luto da Wanda. 

    Eu não acho que o trabalho deles em manter o andamento tenha sido ruim, ainda com o prazo curto eles conseguiram fechar todos os pontos que precisavam ser fechados, mas a série avança por 8 episódios com aquela sensação de “Meu deus e agora como que eles vão resolver tudo isso em um episódio só?” e isso é ligeiramente incômodo pra quem está assistindo, porque fica aquela sensação de que não vai ser o suficiente e vai dar tudo errado no final, mas eu prometo que dá tudo certo. Bom, quase tudo. 

    Outro erro da série foi a reintrodução de Pietro Maximoff (Evan Peters) que aparece no 5° episódio da trama. No início você cria todo um hype e um milhão de teorias em cima dele, mas a realidade é que ele é tão irrelevante pra história da série que se ele não estivesse ali, nada mudaria. Inclusive, no último episódio quando a farra do “Fietro” acaba, ela acaba tão rápido e tão do nada quanto começou. 

    Por fim, a conclusão que eu cheguei foi que ele só foi colocado ali pra gerar um buzz e um hype em cima do mais promissor dos X-men do universo da FOX Films e nada além disso. Pietro acaba sendo só um rostinho bonito mesmo, assim como o Pietro da Era de Ultron (Aaron Johnson). 



    Mas tirando esses dois pontos, eu particularmente só tenho elogios pra série e eu vou falar deles agora.Vou começar com o meu favorito, motivo do meu derretimento e razão de todo meu amor. OS GÊMEOS SÃO INCRÍVEIS! 

    Eles passam por 3 fases de crescimento no mesmo episódio, como recém nascidos, depois com 5 anos e por fim eles se envelhecem até terem 10 anos antes de serem proibidos por Wanda de continuarem a fazer isso pra fugir dos problemas e das dores que eles sentiam, naquele momento em específico, pela morte do seu cachorrinho, o Sparky. E a proibição vem acompanhada de um discurso muito tocante sobre como a ordem da vida e da morte não pode nem deve ser alterada. 

    A escolha dos 4 atores que viveram os Gêmeos (na fase dos 5 e dos 10 anos) foi incrível. Os mais novos Baylen Bielitz (Como Billy) e Gavin Borders (Como Tommy), apesar do pouco tempo de tela, cativam o espectador quase que instantaneamente com uma sobrecarga de fofura, mas não muito depois acabam dando espaço pros mais velhos, Jullian Hilliard no papel de Billy e Jett Klyne no papel de Tommy e esses seguem no elenco até o final da série. 

    Jullian Hilliard já vinha de uma série de sucesso, depois de interpretar Luke Crain em A Maldição da Residência Hill e certamente nos serve um Wicanno descomunalmente fofo, poderoso e cheio de potencial futuro. 

    Já o pequeno Jett Klyne traz na bagagem vários pequenos papéis em grandes séries, como uma participação em O Mundo Sombrio de Sabrina e Boneco do Mal, mas eu arrisco dizer que WandaVision foi seu maior papel até agora. E novamente, não muito diferente do irmão, ele também serve fofura, uma dose de humor e definitivamente potencial futuro. 

    Tommy e Billy protagonizam cenas muito divertidas, como as das descobertas dos seus poderes e algumas muito importantes, como a que Billy sente a morte do seu pai. Não é difícil se apegar a eles, acontece instantaneamente e naturalmente. Eu conversei dessa série com muita gente e não conheci ninguém que não tenha ficado perdidamente apaixonado pelos garotos. Se eles forem a cara da nova geração, eu afirmo que ela está muito bem servida e representada. E eu definitivamente não quero que os atores sejam substituídos, prefiro que esperem os meninos envelhecerem um pouco mais. Eles são magníficos. 

"Fotos dos meus filhinhos. Espero que voltem logo."

    Agora vou falar da mãe deles, a dona de todos os corações. Elizabeth Olsen já vinha entregando ótimas atuações como Wanda, mas disparadamente seu melhor momento é em WandaVision. 

    Como todos nós sabemos, o motivo da vingadora ter criado o Hex na série, foi o colapso depois de se ver sozinha, tendo perdido os pais, o irmão e por fim seu companheiro e em termos de atuação, a atriz consegue passar cada milímetro, cada gota, da dor que a Wanda sentia.  

    É extremamente fácil vê-la como vilã nessa série, mas você acaba tirando esse rótulo dela justamente por sentir o que ela sente. Você se compadece com a Wanda, e no fundo todos nós conhecemos o coração dela. Sabemos que em sua origem e pra todos os indícios ela é uma heroína e que todo o mal que ela causou quando criou esse mundo paralelo, foi acidental. Isso se deve a além de um roteiro bem escrito, à atuação da Elizabeth Olsen.

    O terceiro e último ponto que eu vou mencionar aqui é a verdadeira vilã da série. Agatha Harkness também não foi exatamente uma surpresa, mas também foi um dos pontos mais altos da série.

    Ao final do episódio 7, é revelado que Agnes, a vizinha enxerida dos Maximoff é na verdade a lendária Agatha Harkness! Ela faz sua primeira aparição em uma cena bastante dramática que é seguida de um musical extremamente cativante, chamado “It’s Agatha All Along”, no nível de musicais das animações da Disney mesmo. E durante a duração dessa música, é revelado que Agnes Agatha estava por trás de muitos dos eventos controversos daquele mundo, como a aparição de Pietro logo após o discurso sobre vida e morte e até a morte do próprio Sparky, o cachorro dos meninos.

    A atuação de Kathryn Hahn deve ser elogiada no mesmo patamar da protagonista, senão melhor. Tanto as cenas dela como Agnes quanto as de Agatha são incríveis e mostram uma atuação de altíssimo nível. A atriz que atuou em mais de 40 trabalhos trouxe toda a sua experiência pro MCU e com certeza nos deu um papel inesquecível. Eu particularmente espero que ela retorne também, porque da mesma forma que aconteceu com os gêmeos, o público também criou uma afeição por ela.

    A série vai se construindo nessa narrativa de reviravoltas e fã-service até os dois últimos episódios. Lá é onde a verdadeira magia acontece, literalmente.

    Muitas pequenas informações são dadas nesses últimos episódios, como o nome “Feiticeira Escarlate” sendo dado a Wanda, algumas menções quase disfarçadas aos mutantes e até mesmo um Skrull que aparece na primeira cena pós-crédito do episódio final.

    Além disso, o Visão protagoniza uma cena muito boa enfrentando seu alter-ego vilanesco, o Visão Branco, onde eles falam metaforicamente sobre o paradoxo do Navio de Teseu. Os meninos tem uma cena rápida e simples, porém muito legal, parando alguns militares junto com a Mônica.

    Depois disso, Wanda e Agatha travam uma disputa de poderes realmente eletrizante, onde Wanda mais uma vez mostra uma extensão muito grande dos seus poderes, neutralizando Agatha por completo depois de um certo tempo de luta. E pra agradar ainda mais o público, Wanda materializa finalmente seu uniforme final, o da Feiticeira Escarlate. E eu juro pra vocês, ELE É LINDO.

                                                



    O final é bastante agridoce e eu confesso que chorei bastante vendo ele. Depois de ser confrontada em razão de todos os seus crimes, Wanda decide desfazer o Hex, mesmo que isso custe a existência do seu mais doce sonho. Billy, Tommy e Visão desaparecem depois de cenas de despedida capazes de derrubar uma montanha e formar um novo rio.

    Claro que pra alegria de todos nós e também pra não deixar toda a comunidade de fãs dos Maximoff órfã, na segunda cena pós crédito, é mostrado que Wanda está estudando o lendário Darkhold e nos últimos dois segundos de série, é possível ouvir a voz dos garotos gritando por socorro à mãe. Não sabemos porque, nem quando e nem onde. Mas devemos aguardar ansiosamente o retorno dos gêmeos.


    Pra conclusão desse texto: WandaVision é realmente a série do milênio. Ela abriu inúmeras portas dessa fase 4 do MCU e deu finalmente os rostos à nova geração. Se você me perguntar hoje se vale a pena assistir, a resposta é: Absolutamente sim! E se você me perguntar daqui 10 anos de novo, a resposta ainda será Absolutamente sim.

    Wandavision é tranquilamente uma nota 10/10, mesmo com os erros que eu comentei e eu particularmente não acho que nenhuma outra série dessa 4ª fase vá superar a qualidade e o apego que a série nos deu.

    E como última frase de efeito, eu gostaria de fazer um apelo: Marvel, por favor devolva a felicidade da Wanda. Ela merece mais do que qualquer outro personagem