quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

O adiamento de Cyberpunk no fim das contas, é algo ruim ou não?

Texto escrito e editado por Bruno Boldrin 




              No dia 16 de janeiro, a CDPR, desenvolvedora conhecido pela franquia The Witcher, lançou uma nota através do Twitter informando que o jogo que estava previsto para 16 de abril de 2020, teria de ser adiado, e só estará disponível em 2077. Brincadeiras a parte, o jogo foi adiado para 17 de setembro de 2020.

E como já esperado, isso não iniciou uma “guerra” entre os fãs:


Um lembrete para vocês:
"Um jogo adiado, eventualmente será bem feito, mas um jogo feito às pressas será sempre ruim."

“Levem o quanto for necessário. Infelizmente já imaginava que isso estava por vir...
Aliás, mal posso esperar para o dia 17 de setembro!”

Porém nem todos viram isso com bons olhos...


“PRE COMPRA CANCELADA!"
"CANCELADA, CANCELADA, CANCELADA”

“Por que os desenvolvedores prometem uma data de lançamento sem ao menos ter certeza se o jogo estará pronto para ser lançado na data?”

E, é claro, teve uns memes prontos também:



"Mas a questão é.... O que exatamente esse adiamento quer dizer?"


Dado a forma com que a CDPR trata seus fãs, é difícil esperar que isso seja algo ruim, então resolvi buscar umas teorias e algumas informações pra tentar entender o porquê desse adiamento. Vamos começar cavando tudo, sabe quando o desenvolvimento de Cyberpunk começou? Pois é, pelo incrível que pareça o jogo foi anunciado em janeiro de 2013, porem a desenvolvedora só teve de fato um foco no game, um “ponta pé” vamos se dizer assim, apenas em meados de 2014. Isso tudo porque a equipe de desenvolvedores estava focada terminando a DLC de The Witcher 3: Hearts of Stone, mesmo que o jogo base de The Witcher 3: Wild Hunt só foi lançado em 2015. Cyberpunk só passou a ser o foco de CDPR quando The Witcher 3 já estava nos seus polimentos finais. E ainda sim, a equipe aparentemente só foi estar completa e trabalhando a todo vapor em 2016, após o lançamento da DLC de The Witcher 3, Blood and Wine. No trailer da E3 de 2018, a CDPR ainda lançou uma mensagem “escondida”:
Clique aqui para ver a imagem maior
Por anos, desde o primeiro pronunciamento de Cyberpunk as pessoas faziam as piadas dizendo que o games só estaria disponível em 2077. Não tivemos uma data especifica desde o seu anuncio feito em 2013, através daquele fantástico trailer em CG.
E quanto a promessas ou datas? Nada. A CDPR se mostrou bem tranquila em relação a isso na época e sua resposta foi simplesmente essa:

"CHEGA: QUANDO ESTIVER PRONTO" em letras garrafais 

E então, nossa espera veio... sem trailers, sem gameplay... apenas um sonho distante. Mas em 2018 a CDPR apresentou outro trailer em CG, ao som de “Hyper – Spoiler" e bom... veja por sí mesmo. No mesmo dia, foi mostrado ao pessoal da imprensa durante a E3 uma gameplay de 48 minutos que mais tarde foi lançado também para a internet. Enfim o hype que já estava alto subiu ainda mais com as notícias que foram jogadas para nós, algumas delas eram:

Sem “missão fracassada” - claro, se você morrer, bem provavelmente terá sua tela de “reloading”, porem vamos supor que em algum momento, você fracassou em perseguir um personagem, deixou algum companheiro seu morrer, fracassou em conseguir uma informação? Segundo a CDPR isso não te dará uma tela de missão fracassada e um reloading, e sim uma consequência.

Várias formas de “abordagens” - CDPR disse que as formas de abordagem no jogo serão mais variáveis, isso ainda mais que em The Witcher. Em vários momentos será possível passar sem matar nenhum inimigo, e teremos diversas formas de abordagens, poderemos ser passivos, tentar intimidar inimigos, tentar negociar e até mesmo barganhar dando aos inimigos informações e itens específicos, isso claro desde que você tenha os itens, skills ou esteja em posição o suficiente para fazer tal ato, e claro tudo com seus riscos e consequências. Talvez a gangue que te contratou, não vai ficar feliz por você ter soltado uma informação ou barganhado um item para trazer outro.
Um mundo totalmente novo e imersivo – Esse que na minha opinião é a maior carência dos jogos hoje em dia... CDPR mostrou uma cidade totalmente bem construída e imaginada nos moldes de um universo Cyberpunk, com diferenças econômicas e culturais entre as pessoas, construções e tecnologia dependendo da região do jogo, com isso também fica bem claro que tipo de problemas você pode esperar entrando em diferentes áreas do jogo. E pra surpresa de muitos, em 2019 me veio um ponto de interrogação e eu me perguntava, "Como a CDPR poderia fazer para manter o hype ou subisse ainda mais depois dos trailers lançados na E3 2018?". Então a E3 2019 veio, e com ela outro trailer em CG “And they did again”. O trailer de 2019 apresentava (acredito eu) uma das consequências da abordagem violenta em cyberpunk, o caos generalizado causado por V (o protagonista), resulta na morte de Jack, e o alarme da “corp cops” uma polícia corporativa, e provavelmente dona do chip que V tinha sido contratado pra pegar. Resultado, seu contratante não ficou feliz, você não recebeu seu pagamento, seu parceiro está morto e ainda por cima a polícia corporativa está alarmante atrás de você. E ao fim do trailer tivemos talvez a maior surpresa da E3 2019


De maneira totalmente inesperada, Keanu Reeves, conhecido por franquias como Matrix, Constantine, John Wick e até mesmo Bill e Ted, foi confirmado como personagem Johnny Silverhand, vocalista e guitarrista da banda fictícia chamada “Samurai”. Um tempo depois, foi divulgado que a primeira opção para o personagem na verdade era para David Bowie, porém Bowie veio a falecer em 2016, e não teve a chance de aceitar o papel com a CDPR. E com esse trailer, da mesma forma que na E3 anterior, foi lançado outro trailer de gameplay, só que dessa com apenas 15 minutos.
Porém, com esse trailer, uma galera levantou uma bola pra umas críticas onde a principal delas, era em relação aos gráficos do jogo.





Sim, claramente os gráficos estão “feios” em relação ao que era esperado para um jogo de mais de 5 anos de desenvolvimento, o jogo ainda será polido antes do lançamento. Mas isso ainda sim é motivo sim para ficar bravo, não comprarei Cyberpunk por conta dos gráficos, na verdade nem ao menos me importo muito com isso, mas com certeza algumas pessoas compraram o jogo em pré-venda por conta dos gráficos mostrados na E3, então sim... eles devem mostrar pra gente o que eles têm a apresentar, por pior que sejam os gráficos, por mais "bugado" que estejam. Com o trailer de 2019, finalmente tivemos a data de lançamento divulgada e, assim, o começo da pré-venda. Bom, como já vimos que o hype estava declarado, as vendas foram as alturas.

Conforme mostrado nessa imagem do Reddit, o jogo Cyberpunk 2077 atingiu quase instantaneamente, após a sua chegada na plataforma Steam, o topo de vendas.

Porém algumas coisas foram aparecendo no caminho onde, mesmo que não foi dito ser esse os motivos verdadeiros, mas é o mais compreensivo para o seu adiantamento:


O MULTIPLAYER
De início, CDPR tinha dito que não havia interesse sobre um multiplayer de Cyberpunk, aparentemente isso foi colocado de lado com o tempo...
A impressa acreditava que o outro projeto da CDPR era na verdade outro jogo, para ser mais exato, as pessoas acreditavam que outro The Witcher, agora protagonizado por Ciri estaria nos planos da CDPR, mas aparentemente essa hipótese foi deixada de lado. Isso talvez seja um dos motivos para o atraso do jogo, o modo multiplayer aparentemente só estará disponível em meados de 2021, isso só após a uma DLC grátis do modo single-player, não ficou claro se o modo será um Coop dentro do modo história, ou se será algo mais distante como a Rockstar fez com GTA V e RDR2.



KEANU REEVES
CALMA, CALMA, não estou aqui pra jogar a culpa no nosso "golden guy", se isso for o motivo do atraso, estou disposto a esperar até 2077 pelo lançamento.
"BREATHTAKING!"

Acontece que Keanu Reeves gostou tanto do universo criado do game, e do personagem, que pediu para que aumentassem sua participação no game. Enfim, Acabou COM que Keanu teve seu desejo atendido, em uma live, um dos desenvolvedores da CDPR revelou que Keanu Reeves é o segundo personagem com mais falas no jogo, só ficando atrás do protagonista V.

NOVO XBOX E PS5
Talvez esse seja o motivo mais solido para o atraso de Cyberpunk, até então o jogo esta confirmado para Xbox One, PS4 e PC. Não sabemos quando os novos consoles devem chegar nas lojas. Porém muitos acreditam que cheguem nas lojas no fim de 2020 ou talvez no começo de 2021. Isso não quer dizer que Cyberpunk será lançado logo no lançamento para essas plataformas, mas dará tempo o suficiente para deixar o jogo preparado para a chegada dos novos consoles. Enfim, acabou sendo reforçado essa teoria pois recentemente CDPR revelou que terá de passar por um crash report, e bom... o que é isso pra começar?
Os crash reports, vem se tornando uma polemica nos últimos anos no mundo dos games, e tem costume de acontecer em games triple A, ou seja em jogos de maiores orçamentos, promessas e de grandes empresas, como GTA, RDR2, The Witcher 3, The Last of Us, Gears of War. O que acontece é que para conseguir lançar o jogo em uma data especifica, os programadores acabam tendo que fazer jornadas de trabalho malucas e inimagináveis, alguns chegam a relatar que precisar dormir na empresa por semanas, e fazer jornadas de 14 - 15 horas de trabalho, onde alguns erros nas linhas de programação passam e erros como personagens voando e a I.A. do game desligando, acabam por acontecer.


"Nós estávamos esperando e sempre chega o momento da decisão. Estamos constantemente avaliando o game e decidimos que, se fôssemos adiá-lo, esse seria o momento certo, e que com a decisão de adicionar cinco meses nós teríamos bastante certeza de que podemos entregar o que planejamos", ele explica. "Claro, foi uma decisão difícil, mas nós e nosso time - que foi informado minutos atrás - pensamos que essa é uma boa decisão e que ter cinco meses extra nos permitirá entregar o jogo perfeito".
- Adam Kiciński, atual presidente da CD Projekt Red

Adam ainda disse que os meses necessários de adiamento foi tomado pois assim, apesar do aumento de jornada dos funcionários para lançamento do jogo, dessa forma não pressionem muito os mesmos com jornadas absurdas para o lançamento. Enfim... Tudo de melhor sempre, e obrigado por lerem até aqui, e nos vemos em 2077

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Poucos Minutos, por PWStudios

Atenção, nobres leitores desse humilde site.

A PWStudios, desde o final do ano passado, esta em ação fazendo com que novos projetos vejam a luz do dia. Eis que, com muito amor, carinho e orgulho, apresentamos a nossa primeira produção na área de podcast - Poucos Minutos.


Poucos Minutos é um podcast, apresentado por Charles Oliveira, que tem como objetivo indicar e dar a sua opinião sobre filmes, jogos, séries, livros, HQs e até mesmo álbuns de musica.





O programa seguira uma média de 40 minutos de duração e teremos programas disponíveis toda a quarta-feira, sem um horário fixo por enquanto. Fiquem ligados no Twitter (@_pwstudios) para recebem as notificações de quando sair um novo programa.


sexta-feira, 19 de julho de 2019

A Vida não imita a Arte... ela É a Arte.

Texto escrito e editado por Pedro Terasso





Oi, sou eu de novo! Dessa vez vim espalhar a palavra sobre o meu filme favorito: Boyhood.

Começarei contando logo de cara a minha experiência pessoal, afinal é tudo que tenho pra oferecer. 

O ano é 2015, poucas semanas antes da páscoa. Nessa época eu não tinha o costume de sair durante dos finais de semana, mas adorava ficar acordado durante a madrugada, então sempre estava procurando coisas novas pra fazer na internet. Em uma dessas noites, enquanto eu rodava o catalogo do PopCorn Time, a capa de um filme me chamou a atenção.

Era uma capa simples, sem muitos detalhes, apenas um garotinho deitado na grama. Mas por algum motivo eu senti que deveria parar o que quer que eu estivesse fazendo pra assistir aquele filme.
Mas antes de começar a espalhar a palavra sobre o filme, eu preciso situar vocês, caso nunca tenham assistido.

Boyhood é um longa metragem lançado em 2014 que conta a história de vida do personagem Mason Evans Jr. (Ellar Coltrane) dos seus 6 aos 18 anos, dando ao público uma visão única sobre como se desenvolve uma vida. Diferente de tudo que vocês já viram.

O filme nasceu de uma ideia bem ambiciosa do diretor Richard Linklater, que era filmar um Slice of Life durante 12 anos. 

É isso mesmo, nada de troca de atores pra mostrar fases diferentes da história. Acompanhamos o crescimento de cada uma das crianças, acompanhando também o envelhecimento de cada um dos adultos. sentimos o tempo passar por nós enquanto o filme nos mostra referências incríveis de cada época, mesmo sendo essas muito sutis. 





Eu já assisti esse filme mais de 6 vezes durante esses 4 anos, sendo a ultima delas no fim de Dezembro de 2018, e todas as vezes um novo sentimento vem dessa obra. E nunca um sentimento negativo, é como se eu aprendesse um pouco mais sobre a vida a cada vez que eu assistisse e eu acho que vale a pena contar algumas delas aqui.

Em 2015, na primeira vez que vi, eu senti inveja de Mason, de como a vida dele era incrível, legal e de como ele estava cercado de pessoas sensacionais. Eu quis ser  Mason, sobreviver ao que ele sobreviveu, conquistar o que ele conquistou e acredito que isso foi algo que me pegou naquele ano. Boyhood era uma inspiração pra mim, era algo no qual eu poderia e deveria me espelhar.

Apos assistir algumas vezes, no ano de 2017 (eu não serei capaz de lembrar a data com exatidão), Boyhood me ajudou a passar por um momento de ira na minha vida, eu estava amaldiçoando a minha existência, e odiando como as coisas andavam ruins.
E esse filme me ajudou a lembrar que a vida é assim mesmo, que o seu caráter e o seu futuro são a combinação perfeita de cada momento da sua vida, seja ele bom ou ruim.  não importa o quão ruim se esteja, eventualmente irá melhorar.

Porém, em 2018/2019, durante a ultima vez que assisti esse filme, inesperadamente foi quando tive a melhor das experiências que a obra poderia me proporcionar. 
Assim que terminei de assistir,  notei que havia sido diferente das outras vezes, que dessa vez, eu não havia aprendido nada, que Boyhood não havia me tirado de nenhum buraco. Eu só estava feliz por ter acabado de ver meu filme favorito de novo.  O efeito nostalgia estava latente entrando em meu cérebro.

Isso me deixou ligeiramente chateado, pois senti como se parte da magia do filme estivesse lentamente desaparecendo. Porém, após 2 semanas, quando eu havia acabado de voltar de  viagem com alguns amigos, decidi tomar banho e enquanto ouvia música, e uma das músicas da trilha sonora de Boyhood (Hero –Family Of The Year, caso os leitores queiram sentir a vibe da musica) que começou a tocar da minha playlist e eu fui inundado por lembranças. Mas não lembranças do filme ou da vida do Mason, mas sim pelas minhas próprias. lembranças dessa viagem, lembranças de roles antigos, de amigos que eu perdi, dos amigos que ainda estavam ali, e  naquele momento o clique da ultima vez que eu havia assistido chegou. 

"Aquelas lembranças eram o meu aprendizado, elas estavam ali pra me mostrar que eu não precisava ser o Mason pra ter uma vida incrível, que eu não preciso me espelhar em ninguém pra ser alguém. Aquelas lembranças eram a minha vida incrível. Aqueles momentos eram o meu “Boyhood”. "


No fim das contas Boyhood é sobre isso. Não é um filme que vai te prender na cadeira com um mistério que te causa comichões até ser descoberto, ele não é um filme com cenas de ação que vão te tirar o fôlego.
Ele é um filme que vai te mostrar a vida como ela é, te fazer lembrar que o mundo é um lugar difícil, mas muito bom também, e que cada pessoa que passa pela nossa vida tem alguma coisa para nos mostrar, seja isso bom ou ruim.

Com certeza você vai se identificar com Mason em algum momento do filme. Pode ser que seja em algum dos tantos perrengues que o menino encara durante a vida, porém, pode ser que seja em algum dos momentos de glória também. Seja um ou outro, a vida é assim mesmo.

Digo com tranquilidade que a melhor decisão do meu ano de 2015 foi assistir esse filme. Espero que você, leitor, dê uma chance a ele.
Pode ser que você não goste mesmo, afinal, muita gente por aí que prefere filmes que as tirem-os de suas realidades, o que não tem nada de errado.
Se você for ao menos um pouquinho como eu, irá também descobrir um filme incrível, que irá te proporcionar felicidade apenas por estar vivo.